A tradição das marmitas dos mineiros inspira os almoços subterrâneos que a mina de sal-gema de Loulé vai disponibilizar a partir de novembro. A 230 metros de profundidade, os participantes poderão conhecer a gastronomia da serra algarvia e visitar uma coleção dedicada à padroeira dos mineiros.
O projeto resulta de uma parceria entre a Associação das Terras e das Gentes da Dieta Mediterrânica e a TechSalt, promotora do espaço, que já recebeu eventos culturais e gastronómicos, embora sem regularidade.
Marmitas recuperam a alimentação dos mineiros
Está previsto que os almoços aconteçam duas vezes por mês, para grupos limitados a 20 pessoas. A experiência dura cerca de duas horas e o menu é servido em marmitas, explicou à Lusa o geólogo Renato Godinho.
“O intuito é recuperar ou estar a experienciar as comidas do antigamente, da serra, as comidas do mineiro”, afirmou.
A intenção é atrair tanto turistas como residentes, procurando garantir uma ocupação regular do espaço.
“A ideia será receber 20 pessoas, que fazem a descida à mina e têm a oportunidade de conhecer também a coleção de Santa Bárbara, a padroeira dos mineiros, o que muitas das vezes é uma experiência que nem toda a gente consegue ter”, acrescentou.
Três minutos de elevador até às galerias subterrâneas
Antes da descida, os visitantes recebem coletes refletores e capacetes. O acesso faz-se num pequeno elevador, numa viagem de três minutos até ao interior da mina, sob a cidade de Loulé, num território onde existia mar há milhões de anos.
A profundidade equivale à altura de um prédio de 70 andares. A partir da década de 1960, foi escavada uma rede de galerias e câmaras que se estende por 45 quilómetros.
Atualmente sem extração de sal, a mina dedica-se a atividades turísticas e científicas. As alternativas à exploração de sal-gema começaram a desenvolver-se em 2019, com uma forte componente turística.
Sobre a segurança no subsolo, o diretor operacional da TechSalt, Alexandre Andrade, afirmou que a probabilidade de sentir um sismo àquela profundidade é quase inexistente. O responsável atribuiu essa característica às propriedades das rochas de sal-gema, que, segundo explicou, absorvem os possíveis impactos das ondas sísmicas.






Exposição reúne 160 peças dedicadas a Santa Bárbara
Junto à galeria onde será servido o almoço encontra-se a exposição “Santa Bárbara, Padroeira de Mineiros e de Outras Artes”, inaugurada em 2022. A mostra dá a conhecer uma devoção ligada à vida e aos riscos do trabalho subterrâneo.
As 160 peças, datadas desde o século XVI até à época contemporânea, pertencem à coleção de Fernando de Mello Mendes, engenheiro de minas e professor do Instituto Superior Técnico.
Filho e neto de mineiros, reuniu durante quase 50 anos peças relacionadas com Santa Bárbara. Após a sua morte, a preservação da coleção evitou a dispersão do acervo e permitiu instalar uma parte substancial, em permanência, na mina de Loulé.
A experiência do almoço mineiro custa 50 euros e inclui o acesso à exposição e uma visita guiada em português e inglês. As reservas podem ser feitas através do sítio da TechSalt na internet.


















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