Poucos sabem, mas alguns dos utensílios utilizados diariamente na cozinha podem contribuir para a exposição a partículas de plástico e a determinadas substâncias químicas. Embora sejam práticos e económicos, estes objetos estão a levantar preocupações entre especialistas de saúde, sobretudo quando entram em contacto com alimentos quentes.
A cardiologista Elizabeth Klodas revelou à revista EatingWell que decidiu eliminar grande parte dos recipientes de plástico da sua cozinha, especialmente aqueles que costumava utilizar para aquecer alimentos no micro-ondas.
A preocupação está relacionada com a possibilidade de determinados materiais libertarem pequenas partículas de plástico e compostos químicos que acabam por entrar em contacto com os alimentos.
Apesar de a investigação sobre os efeitos dos microplásticos na saúde humana ainda estar em desenvolvimento, alguns estudos têm identificado associações entre a presença destas partículas no organismo e problemas cardiovasculares. No entanto, ainda não está demonstrado que a utilização habitual destes utensílios provoque diretamente doenças cardíacas.
Este é o utensílio que a cardiologista deixou de utilizar
Os recipientes de plástico utilizados para guardar refeições estão entre os principais objetos que Elizabeth Klodas decidiu substituir.
Segundo a especialista, citada pela EatingWell, a alimentação não depende apenas dos nutrientes que ingerimos, mas também da exposição involuntária a substâncias potencialmente prejudiciais.
Por esse motivo, a médica passou a privilegiar recipientes de vidro, sobretudo para armazenar e aquecer refeições.
O vidro apresenta a vantagem de não libertar microplásticos, sendo uma alternativa para quem pretende reduzir o contacto dos alimentos com este tipo de partículas.
Aquecer comida em plástico pode aumentar a exposição
Um dos hábitos destacados por especialistas consultados pela Verywell Health é aquecer refeições no micro-ondas dentro de recipientes de plástico.
O calor pode favorecer a libertação de partículas microscópicas, particularmente quando os recipientes estão desgastados ou não foram concebidos para suportar temperaturas elevadas.
Embora existam embalagens próprias para utilização no micro-ondas, a escolha de recipientes de vidro adequados ao aquecimento permite reduzir a exposição associada ao contacto entre alimentos quentes e plástico.
A nutricionista consultada pela publicação norte-americana alerta ainda que algumas destas partículas podem ser ingeridas sem que as pessoas se apercebam.
Colocar alimentos quentes em recipientes de plástico também merece atenção
Outro comportamento comum consiste em transferir comida acabada de cozinhar diretamente para caixas de plástico.
Segundo os especialistas citados pela Verywell Health, as temperaturas elevadas podem favorecer a migração de determinadas substâncias químicas presentes em alguns materiais para os alimentos.
Entre os compostos frequentemente estudados encontram-se o bisfenol A (BPA) e alguns ftalatos, embora a sua presença dependa da composição e das características de cada recipiente.
Importa salientar que nem todos os plásticos contêm estas substâncias e que existem regras europeias destinadas a limitar a exposição dos consumidores a compostos potencialmente perigosos.
Há outro utensílio de cozinha que merece cuidados especiais
As tábuas de corte de plástico também foram destacadas pela nutricionista, sobretudo quando apresentam riscos profundos provocados pela utilização frequente.
Além da possibilidade de libertação de pequenas partículas durante o corte, as superfícies danificadas podem dificultar a limpeza e favorecer a permanência de microrganismos.
Utilizar a mesma tábua para preparar frango cru e cortar alimentos que serão consumidos sem cozedura, como pão ou legumes, pode aumentar o risco de contaminação cruzada.
Bactérias como a Salmonella podem ser transmitidas desta forma, pelo que é aconselhável utilizar tábuas separadas para alimentos crus e alimentos prontos a consumir, independentemente do material.
O que dizem os estudos sobre os microplásticos e o coração?
A preocupação com os microplásticos ganhou maior relevância depois de investigações científicas terem identificado estas partículas em diferentes tecidos humanos.
Um estudo publicado em 2024 na revista científica The New England Journal of Medicine encontrou microplásticos e nanoplásticos em placas de aterosclerose retiradas de artérias carótidas.
Os investigadores observaram que os participantes cujas placas continham estas partículas apresentaram uma maior incidência de determinados eventos cardiovasculares durante o período de acompanhamento.
Contudo, os resultados demonstram uma associação e não permitem concluir que os microplásticos tenham sido a causa direta desses problemas.
Enquanto a investigação continua, os especialistas recomendam medidas simples para reduzir a exposição desnecessária, como privilegiar recipientes de vidro para aquecer alimentos, evitar plásticos danificados e manter boas práticas de higiene na cozinha.
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