O azeite é um dos produtos mais presentes nas casas portuguesas, mas o seu valor também o tornou um alvo atrativo para práticas fraudulentas. Entre os casos detetados pelas autoridades estão produtos constituídos por outros óleos alimentares que são rotulados e comercializados como se fossem azeite.
A própria ASAE alerta os consumidores para a necessidade de terem cuidados adicionais na compra, sobretudo quando encontram preços muito inferiores aos praticados habitualmente ou produtos vendidos sem informação clara sobre a origem e composição.
Preço demasiado baixo deve levantar suspeitas
Uma promoção não significa, por si só, que exista fraude. Ainda assim, a ASAE aconselha a desconfiar quando o azeite é comercializado a um preço muito abaixo da média do mercado, especialmente em vendas através da Internet, redes sociais, feiras ou circuitos menos controlados.
A razão é simples: substituir total ou parcialmente o azeite por óleos vegetais mais baratos permite vender o produto com margens elevadas, apesar de o consumidor acreditar que está a comprar azeite genuíno.
Em março de 2026, por exemplo, a autoridade anunciou a apreensão de cerca de 10 mil litros de óleo alimentar que estaria a ser vendido fraudulentamente como azeite virgem através das redes sociais, tendo encontrado ainda milhares de rótulos e material de embalamento.
Não compre azeite sem rótulo
Outro dos principais cuidados apontados pela autoridade é evitar produtos vendidos sem rotulagem adequada.
Num azeite comercializado legalmente, o consumidor deve conseguir encontrar informação como a denominação do produto, origem quando obrigatória, quantidade líquida, data de durabilidade, identificação do lote e nome e morada do responsável pelo produto.
No caso do azeite virgem e virgem extra, a indicação da origem é obrigatória. A rotulagem também não pode apresentar informação suscetível de induzir o consumidor em erro.
A cor não diz se o azeite é verdadeiro
Um azeite muito verde pode parecer melhor ou mais genuíno, mas a cor não é um método fiável para determinar a autenticidade ou qualidade.
A ASAE recomenda que os consumidores não façam a escolha exclusivamente com base na cor ou na acidez indicada, uma vez que estas características, isoladamente, não permitem perceber se existe adulteração.
Isto é particularmente relevante porque um óleo mais barato pode ser manipulado para adquirir uma aparência semelhante àquela que o consumidor associa ao azeite.
DOP e IGP podem dar informação adicional
Certificações como Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP) permitem identificar produtos sujeitos a regras específicas de produção e origem.
Ainda assim, a existência de um símbolo ou expressão no rótulo não dispensa a verificação dos restantes elementos. A ASAE já apreendeu em investigações anteriores rótulos falsificados e produtos que utilizavam indevidamente referências a denominações protegidas.
O teste do frigorífico não é garantia
Um dos truques caseiros mais divulgados consiste em colocar o azeite no frigorífico ou congelador e avaliar a sua consistência. Esse método, porém, não permite confirmar com segurança se um produto é azeite genuíno.
A composição dos azeites varia e o comportamento a baixas temperaturas também pode ser diferente. Quando existe suspeita de fraude, a confirmação passa por análises físico-químicas e sensoriais em laboratório, como acontece nas investigações da ASAE. Na operação realizada em 2026, a autoridade recolheu amostras precisamente para esse tipo de análise.
Afinal, como reduzir o risco de comprar azeite falsificado?
A regra mais simples é juntar vários sinais: desconfiar de preços anormalmente baixos, evitar embalagens sem rótulo, confirmar a origem e a identificação do produtor ou embalador e ter especial cuidado com ofertas feitas através de redes sociais ou vendedores cuja proveniência não seja clara.
A ASAE lembra ainda que as menções obrigatórias presentes no rótulo são importantes indicadores de autenticidade e rastreabilidade. Se a embalagem não permite perceber claramente o que está a comprar, quem o colocou no mercado ou de onde vem o produto, há razões para ter cautela.
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