O sistema informático do Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a registar falhas esta segunda-feira, 19 de outubro, deixando vários médicos impossibilitados de emitir receitas e consultar os processos eletrónicos dos doentes. A situação começou a ser reportada por volta das 10h00 e está a afetar diferentes unidades de saúde do país.
Segundo a agência Lusa, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) alertou para a indisponibilidade de duas ferramentas essenciais ao funcionamento dos serviços de saúde: a Prescrição Eletrónica Médica (PEM) e o Registo de Saúde Eletrónico (RSE).
A falha está a provocar atrasos nas consultas e dificuldades no acompanhamento dos utentes, uma vez que os profissionais de saúde não conseguem aceder a informações clínicas necessárias à prestação de cuidados.
Médicos não conseguem passar receitas nem consultar processos clínicos
De acordo com Joana Bordalo e Sá, vice-presidente da FNAM, os problemas começaram a ser identificados durante a manhã e rapidamente surgiram relatos de diferentes unidades locais de saúde.
“Há cerca de 25 minutos que estamos sem sistema informático e isto provavelmente é mesmo nacional”, afirmou a dirigente sindical à Lusa, pelas 10h30.
Entre as unidades afetadas, a responsável identificou a Unidade Local de Saúde de São João, a ULS de Matosinhos e a ULS do Médio Ave, acrescentando que continuavam a chegar relatos de outros locais.
A indisponibilidade da Prescrição Eletrónica Médica impede os profissionais de emitir receitas, enquanto a falha no Registo de Saúde Eletrónico impossibilita a consulta dos processos clínicos dos doentes.
Segundo a FNAM, ao tentarem utilizar a plataforma de prescrição, os médicos encontram uma mensagem a indicar que não é possível aceder à página. Já no Registo de Saúde Eletrónico surge a indicação de que o sistema não está ligado.
Consultas estão a sofrer atrasos e utentes podem ser prejudicados
A situação está a ter consequências diretas no funcionamento das consultas, uma vez que os médicos não conseguem completar determinados procedimentos necessários ao acompanhamento dos doentes.
Joana Bordalo e Sá, que também preside ao Sindicato dos Médicos do Norte, explicou que estava a realizar consultas quando se deparou com a falha informática.
“Estou em consulta neste momento e tenho a consulta toda atrasada por não estar a conseguir passar as receitas que os meus doentes precisam”, relatou à Lusa.
A dirigente sindical considera que a impossibilidade de consultar os processos eletrónicos compromete as condições em que os profissionais prestam cuidados, além de provocar atrasos no atendimento.
A responsável alertou ainda para o impacto que uma falha desta dimensão poderá ter nos milhares de utentes com consultas agendadas para esta segunda-feira em centros de saúde e hospitais.
Federação Nacional dos Médicos responsabiliza Ministério da Saúde
Perante a situação, a FNAM criticou o Ministério da Saúde, considerando que as falhas informáticas são recorrentes e prejudicam o funcionamento dos serviços.
Joana Bordalo e Sá responsabilizou a tutela pela falta de modernização dos sistemas, defendendo que os profissionais precisam de ferramentas informáticas fiáveis para realizar procedimentos tão básicos como emitir receitas ou consultar informações clínicas.
A dirigente classificou a situação como “absolutamente inaceitável” e lamentou que os problemas continuem a repetir-se, apesar dos alertas anteriormente apresentados.
Serviços Partilhados do Ministério da Saúde foram contactados
A agência Lusa contactou os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), entidade responsável pela gestão dos sistemas informáticos, pelas 10h45 desta segunda-feira.
À hora da divulgação da notícia, ainda não tinha sido recebida uma resposta sobre as causas da falha ou o prazo previsto para o restabelecimento dos serviços.
Também não existia confirmação oficial de que a indisponibilidade estivesse a afetar todas as unidades de saúde do país, embora a FNAM tenha admitido que o problema possa ter dimensão nacional.
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