As mulheres que sofrem de incontinência urinária, alterações do pavimento pélvico associadas à menopausa ou dificuldades de recuperação após o parto já podem beneficiar de um tratamento gratuito em casa, através do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A medida, disponível desde 13 de outubro, recorre à inteligência artificial e permite realizar programas de reabilitação personalizados sem necessidade de deslocações frequentes a unidades de saúde.
A iniciativa divulgada pelo Governo pretende melhorar o acesso a cuidados especializados de saúde feminina e reduzir os tempos de espera. As projeções apresentadas apontam para a possibilidade de cerca de um milhão de mulheres em Portugal beneficiarem de melhores condições de acesso a estes tratamentos, embora isso não signifique que todas estejam atualmente a recebê-los.
Tratamento pode ajudar mulheres durante a menopausa
O programa destina-se à reabilitação do pavimento pélvico, um conjunto de músculos que desempenha funções importantes no controlo da bexiga e no suporte dos órgãos pélvicos. Quando estes músculos apresentam alterações, podem surgir dificuldades como perdas involuntárias de urina, desconforto ou problemas relacionados com a recuperação após o parto.
A nova resposta do SNS também pode ser utilizada no acompanhamento de mulheres com alterações do pavimento pélvico durante a menopausa e no alívio da dor associada à endometriose. Contudo, a adequação do tratamento depende sempre de uma avaliação clínica, uma vez que nem todas as situações podem ser resolvidas através de reabilitação à distância.
Como pedir o tratamento gratuito através do SNS?
O acesso pode começar numa consulta com o médico de família ou outro médico assistente do SNS. Caso considere que a reabilitação do pavimento pélvico é adequada à situação clínica da utente, o profissional de saúde pode prescrever o programa, que está disponível para prescrição nos centros de saúde e hospitais públicos do país.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a solução é disponibilizada pela tecnológica portuguesa Sword Health. Depois da prescrição, a utente realiza um registo na plataforma da empresa e passa por uma avaliação inicial com uma equipa clínica especializada. Posteriormente, é definido um plano terapêutico adaptado às necessidades identificadas, sendo enviado para casa o dispositivo médico necessário à realização dos exercícios.
Inteligência artificial acompanha a evolução dos exercícios
Uma das particularidades do programa é a utilização de um dispositivo médico certificado que permite acompanhar a atividade dos músculos do pavimento pélvico. A informação recolhida é transmitida a uma aplicação, permitindo monitorizar a execução dos exercícios e a evolução do tratamento.
Segundo a Sword Health, os dados são analisados com recurso à inteligência artificial e acompanhados por profissionais de saúde, que podem adaptar o plano de reabilitação. A tecnologia não substitui a avaliação médica, funcionando como um instrumento de apoio às equipas clínicas e permitindo que as mulheres realizem os exercícios em casa, nos horários mais convenientes.
Governo pretende reduzir os tempos de espera
A dificuldade em obter cuidados especializados de reabilitação do pavimento pélvico foi um dos motivos apresentados para a criação desta resposta. Segundo informação divulgada pelo Governo, 63% das 278 clínicas convencionadas não disponibilizavam este tratamento e, em algumas regiões, os tempos de espera podiam chegar aos dois anos.
A nova solução pretende reduzir estas barreiras através da realização de tratamentos à distância, mantendo o acompanhamento clínico. No entanto, a telereabilitação funciona como complemento dos cuidados presenciais e não elimina a necessidade de consultas ou tratamentos convencionais quando estes são clinicamente indicados.
Muitas mulheres nunca procuraram ajuda médica
A dimensão do problema também é evidenciada pelos dados apresentados pela Sword Health. Num estudo nacional com 1.200 mulheres com mais de 50 anos, citado pela empresa, 61% afirmaram já ter tido episódios de incontinência urinária, sendo que metade nunca tinha abordado o assunto com um médico.
A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, destacou que esta modalidade poderá permitir que cerca de um milhão de mulheres tenham melhores condições de acesso à reabilitação do pavimento pélvico. Assim sendo, as utentes que apresentem sintomas devem procurar aconselhamento médico para avaliar a necessidade de tratamento e perceber se podem beneficiar desta resposta gratuita do SNS.
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