Hugo Pereira, presidente do PS do Algarve, pediu à ministra da Saúde um plano de intervenção para o Hospital de Portimão e os restantes serviços de saúde da região, na sequência da morte de dois homens enquanto aguardavam atendimento nas urgências.
Numa carta aberta a Ana Paula Martins, divulgada este sábado, 7 de novembro, e citada pela Lusa, o dirigente classificou como “particularmente graves” os casos dos utentes de 87 e 94 anos e manifestou “profunda preocupação” com o funcionamento do serviço.
Mais profissionais e escalas completas entre as prioridades
A proposta socialista assenta no reforço dos recursos humanos, na contratação e fixação de médicos, enfermeiros e outros profissionais, na garantia de escalas completas e no funcionamento regular das valências hospitalares.
Hugo Pereira apontou a falta de profissionais e os “tempos de espera excessivos” como problemas que comprometem a assistência a milhares de utentes do barlavento algarvio. O Hospital de Portimão é administrado pela Unidade Local de Saúde do Algarve.
“Não é aceitável que os cidadãos vivam na incerteza quanto à disponibilidade de serviços essenciais ou que tenham de enfrentar esperas incompatíveis com a sua condição clínica”, afirmou.
Apesar das críticas ao funcionamento dos serviços, o presidente da Federação do Algarve do PS enalteceu a dedicação dos profissionais que asseguram os cuidados aos utentes.
Doentes em espera devem ter acompanhamento e reavaliação
O dirigente considera também “igualmente indispensável assegurar mecanismos eficazes de acompanhamento e reavaliação clínica dos doentes enquanto aguardam observação”.
A medida pretende evitar que os utentes fiquem desprotegidos durante a espera nas urgências, sublinha a carta dirigida à ministra.
Para Hugo Pereira, a resposta não deve limitar-se a intervenções pontuais em momentos de rutura. O Algarve necessita de “um planeamento específico”, com um Serviço Nacional de Saúde dimensionado para as necessidades da região e ajustado à sua realidade sociodemográfica.
Igualdade no acesso aos cuidados para o barlavento
O presidente do PS do Algarve recordou que o Hospital de Portimão serve populações de vários concelhos do oeste da região, incluindo Portimão, Lagos, Lagoa, Silves, Monchique, Vila do Bispo e Aljezur.
Defendeu que estes habitantes devem ter o mesmo acesso aos cuidados de saúde que os cidadãos de outras zonas do país. “Os algarvios não exigem privilégios”, afirmou, reclamando “igualdade de acesso, segurança e dignidade nos cuidados de saúde”.
“A idade, a condição económica ou o local de residência nunca podem constituir fatores de desigualdade no acesso à saúde. Os acontecimentos no Hospital de Portimão devem ser um alerta para a necessidade de agir, apurar responsabilidades e corrigir falhas”, declarou.
Hugo Pereira sustentou ainda que a prestação de cuidados às populações não pode “depender da disponibilidade ocasional de recursos”.
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