O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, exigiu este sábado, 7 de novembro, uma explicação pública do primeiro-ministro sobre as mortes de dois utentes no Hospital de Portimão, alegadamente por falta de assistência médica. O dirigente considera que o Governo deve esclarecer as circunstâncias dos casos perante as famílias e a população servida pela unidade algarvia.
“O primeiro-ministro tem o dever de explicar publicamente o que é que se passou para termos tido duas mortes por falta de assistência médica naquele hospital de Portimão”, afirmou, em declarações aos jornalistas citadas pela Lusa.
Carneiro falava em Vila Nova de Gaia, onde encerrou a Convenção Autárquica de Gaia, no Auditório InovGaia.
Autarca transmitiu informações “muito preocupantes”
O líder socialista revelou ter conversado com o presidente da Câmara Municipal de Portimão, que lhe transmitiu informações “muito preocupantes” sobre a falta de médicos nas urgências e os tempos de espera por assistência.
Segundo Carneiro, “são vários os municípios e milhares de pessoas que recorrem diariamente ao hospital de Portimão”. Por isso, defendeu, “os esclarecimentos são devidos não apenas às famílias das vítimas, mas também à população servida por aquela unidade”.
Questionado sobre a ausência de explicações da ministra da Saúde, o secretário-geral do PS disse estranhar a ausência do Governo e atribuiu ao primeiro-ministro a principal responsabilidade política.
“Para mim, a ministra da Saúde já há muito que está ausente daquilo que são as necessidades do Ministério da Saúde”, declarou.
PS mantém disponibilidade para negociar medidas de habitação
Na mesma intervenção, José Luís Carneiro abordou o impasse nas negociações com o Governo sobre a legislação da habitação. Apesar das divergências, assegurou que o processo não está fechado e reiterou a disponibilidade para procurar uma solução equilibrada entre proprietários e inquilinos.
O dirigente acusou o executivo de querer liberalizar o mercado do arrendamento e favorecer os fundos imobiliários.
Na sua perspetiva, “a política de habitação deve proteger os proprietários, mas também os jovens, as famílias de rendimentos médios e os idosos”.
Garantia pública e seguros integram proposta socialista
Carneiro afirmou que o PS apresentou uma proposta de garantia pública para apoiar jovens entre os 18 e os 35 anos e famílias até ao sexto escalão de rendimentos.
A medida seria complementada por seguros destinados a proteger os proprietários contra o incumprimento no pagamento das rendas e eventuais danos nos imóveis, explicou.
O secretário-geral socialista voltou a acusar o Governo de intransigência quanto ao regime das rendas e ao valor de 2.300 euros considerado no processo negocial.
“Para nós, uma renda de 2.300 euros não é uma renda moderada”, sublinhou.
“Estamos disponíveis para construir soluções, que sejam soluções novas, que sejam equilibradas”, acrescentou, responsabilizando Luís Montenegro pela coordenação e liderança do processo governativo.
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