O consumo de bebidas energéticas tornou-se um hábito frequente, sobretudo entre adolescentes e jovens adultos que procuram aumentar a concentração, combater o cansaço ou melhorar o desempenho físico. No entanto, uma análise recente voltou a colocar os possíveis efeitos destes produtos sobre o coração no centro das preocupações.
O trabalho analisou mais de 28 mil notificações de acontecimentos adversos registadas nos Estados Unidos, incluindo relatos relacionados com produtos que contêm cafeína e outros estimulantes. Entre os problemas identificados encontram-se alterações cardiovasculares, algumas potencialmente graves.
Segundo uma notícia divulgada esta terça-feira, 3 de novembro, pela agência Lusa, a análise reuniu 28.345 relatos de efeitos adversos e identificou associações que justificam uma investigação mais aprofundada sobre os riscos associados ao consumo destes produtos.
Problemas cardíacos estão entre os efeitos identificados
Entre os acontecimentos cardiovasculares analisados encontram-se relatos de enfarte do miocárdio e paragem cardíaca, duas situações que podem colocar a vida em risco e que exigem assistência médica imediata.
Importa, contudo, distinguir uma associação estatística de uma relação direta de causa e efeito. A existência de notificações envolvendo bebidas energéticas não significa que estes produtos tenham sido responsáveis por todos os episódios registados.
Os investigadores alertam para a necessidade de interpretar os resultados com prudência, uma vez que os sistemas de notificação de efeitos adversos podem apresentar informação incompleta e não permitem, isoladamente, determinar a frequência real dos problemas na população.
Jovens adultos merecem especial atenção
Uma das preocupações relacionadas com o consumo de bebidas energéticas prende-se com a sua popularidade entre os mais jovens, que podem recorrer a estes produtos para estudar durante a noite, praticar exercício físico ou prolongar períodos de atividade.
A cafeína atua sobre o sistema nervoso central e pode provocar um aumento temporário da frequência cardíaca e da pressão arterial. Quando consumida em quantidades elevadas, pode também favorecer palpitações, ansiedade, nervosismo e perturbações do sono.
O risco pode ser maior em pessoas com determinadas doenças cardíacas, sensibilidade à cafeína ou quando existe consumo simultâneo de vários produtos estimulantes.
Quantidade de cafeína pode variar bastante entre produtos
Nem todas as bebidas energéticas apresentam a mesma composição. Algumas contêm quantidades relativamente elevadas de cafeína, enquanto outras combinam esta substância com ingredientes como guaraná, taurina ou extratos vegetais.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) considera que, para adultos saudáveis, doses únicas de cafeína até 200 miligramas e um consumo diário até 400 miligramas não suscitam, geralmente, preocupações de segurança. Estes valores não devem, contudo, ser interpretados como recomendações de consumo.
No caso de crianças e adolescentes, a avaliação exige cuidados adicionais. A EFSA utiliza como referência um valor de três miligramas de cafeína por quilograma de peso corporal por dia, embora esta indicação não signifique que as bebidas energéticas sejam aconselhadas aos mais novos.
Misturar bebidas energéticas com álcool pode aumentar os riscos
Outro comportamento que merece atenção é a combinação de bebidas energéticas com álcool, particularmente em contextos de diversão noturna.
A cafeína pode reduzir a perceção subjetiva de sonolência provocada pelo álcool, sem diminuir os efeitos da intoxicação alcoólica sobre a coordenação, o julgamento ou o tempo de reação.
Esta combinação pode levar algumas pessoas a subestimar o seu grau de embriaguez, aumentando a probabilidade de comportamentos de risco.
Especialistas recomendam atenção aos sinais do organismo
Palpitações persistentes, tonturas, falta de ar ou desconforto no peito são sintomas que não devem ser ignorados, sobretudo quando surgem após o consumo de produtos estimulantes. Perante dor no peito intensa, desmaio ou dificuldade respiratória, deve ser procurada assistência médica urgente.
Embora a análise de mais de 28 mil notificações não permita concluir que as bebidas energéticas provocam diretamente os acontecimentos cardiovasculares identificados, os resultados reforçam a importância de estudar os possíveis efeitos destes produtos, especialmente entre consumidores jovens e pessoas com fatores de risco cardíaco.
A principal recomendação passa por conhecer a quantidade de cafeína presente nas bebidas, evitar consumos excessivos e ter particular cuidado com a utilização simultânea de diferentes estimulantes.















