O consumo frequente de refrigerantes pode estar associado a um maior risco de desenvolver cancro do pâncreas, segundo investigações científicas citadas por especialistas em oncologia. Embora estas bebidas façam parte dos hábitos de muitas pessoas, os seus possíveis efeitos na saúde continuam a ser estudados, sobretudo quando são consumidas regularmente ao longo de vários anos.
De acordo com a revista norte-americana Parade, a oncologista Mary Chamberlin considera que reduzir o consumo de refrigerantes é uma medida que pode trazer benefícios para a saúde. A especialista destaca os refrigerantes açucarados, mas também recomenda moderação relativamente às versões com adoçantes artificiais, embora a evidência científica não seja igual para os dois tipos de bebidas.
Estudo associa consumo de refrigerantes a um risco 87% superior
Uma das investigações mencionadas pela especialista é o Singapore Chinese Health Study, que acompanhou mais de 60 mil participantes durante aproximadamente 14 anos. Os investigadores analisaram a relação entre o consumo de determinadas bebidas e o desenvolvimento de cancro do pâncreas.
Os resultados indicaram que as pessoas que consumiam duas ou mais bebidas açucaradas do tipo refrigerante por semana apresentavam um risco relativo de cancro do pâncreas 87% superior ao das pessoas que não consumiam estas bebidas. No entanto, importa salientar que se trata de uma associação estatística, não de uma demonstração de que os refrigerantes provocam diretamente a doença.
Outra investigação identificou um aumento de 55%
A revista refere também uma investigação do Roswell Park Comprehensive Cancer Center, nos Estados Unidos, que comparou 213 pessoas diagnosticadas com cancro do pâncreas com 852 participantes sem a doença.
Segundo os resultados apresentados, o consumo de pelo menos um refrigerante por semana foi associado a um aumento de 55% nas probabilidades de desenvolver a doença. Ainda assim, estudos observacionais deste tipo não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito, uma vez que outros fatores relacionados com a alimentação e o estilo de vida podem influenciar os resultados.
O que significa um aumento de 87% no risco?
Embora os números possam parecer alarmantes, os especialistas sublinham que é necessário distinguir risco relativo de risco absoluto. Um aumento de 87% não significa que 87 em cada 100 consumidores de refrigerantes venham a desenvolver cancro do pâncreas.
Como esta doença é relativamente pouco frequente na população geral, um aumento percentual expressivo do risco relativo pode traduzir-se numa diferença absoluta bastante menor. Além disso, os resultados de um estudo isolado não devem ser interpretados como uma previsão do risco individual de cada pessoa.
Porque é que os refrigerantes preocupam os especialistas?
Os refrigerantes açucarados podem contribuir para um consumo excessivo de açúcar e calorias, favorecendo o aumento de peso quando fazem parte de uma alimentação desequilibrada. A obesidade e determinadas alterações metabólicas estão entre os fatores associados a um maior risco de cancro do pâncreas.
No entanto, a relação entre estas bebidas e a doença é complexa. A investigação ainda não demonstrou que o consumo de refrigerantes, por si só, seja responsável pelo aparecimento deste tipo de cancro. Também não existe evidência suficiente para afirmar que os refrigerantes com adoçantes artificiais apresentam exatamente o mesmo risco que as versões açucaradas.
Que bebidas podem substituir os refrigerantes?
A oncologista Mary Chamberlin recomenda privilegiar alternativas que permitam reduzir o consumo de bebidas açucaradas. Entre as opções estão a água, a água com gás sem adição de açúcar e as infusões sem açúcar.
Estas substituições podem ajudar a diminuir a ingestão diária de açúcares livres e contribuir para uma alimentação mais equilibrada. A água continua a ser a principal bebida recomendada para assegurar uma hidratação adequada, não sendo necessário recorrer a refrigerantes para satisfazer as necessidades de líquidos do organismo.
Há outros fatores de risco para o cancro do pâncreas
O consumo de bebidas açucaradas não é o único aspeto a considerar na prevenção desta doença. O tabagismo, a obesidade, a idade avançada, determinados antecedentes familiares e algumas condições metabólicas estão entre os fatores associados a um maior risco.
A oncologista Tingting Tan, também citada pela Parade, recorda que o risco de desenvolver cancro aumenta com a idade e que a vigilância da saúde deve ser adaptada aos antecedentes e às características individuais de cada pessoa.
Existe algum exame para detetar precocemente a doença?
Ao contrário do que acontece com alguns tipos de cancro, não existe atualmente um programa de rastreio de rotina recomendado para o cancro do pâncreas em pessoas com risco médio. Esta situação está relacionada, entre outros fatores, com as dificuldades de deteção precoce da doença.
Pessoas com antecedentes familiares relevantes ou determinadas predisposições genéticas podem, contudo, beneficiar de uma avaliação especializada. Nestes casos, o médico poderá determinar se existe indicação para acompanhamento específico, tendo em conta o risco individual.
Reduzir os refrigerantes pode trazer outros benefícios
Mesmo sem existir uma relação causal definitivamente estabelecida entre o consumo de refrigerantes e o cancro do pâncreas, reduzir a ingestão de bebidas açucaradas é uma recomendação consistente com as orientações gerais de alimentação saudável.
A substituição destas bebidas por água ou outras opções sem açúcar pode ajudar a controlar a ingestão calórica, proteger a saúde dentária e contribuir para a prevenção do excesso de peso e de doenças metabólicas.
O que deve reter destes estudos?
As investigações citadas pela Parade sugerem uma associação entre o consumo regular de refrigerantes açucarados e um maior risco de cancro do pâncreas. Contudo, os resultados não permitem concluir que beber refrigerantes duas vezes por semana seja suficiente para provocar a doença.
A principal recomendação passa por adotar hábitos alimentares equilibrados, limitar o consumo de bebidas açucaradas, evitar o tabaco e manter um peso saudável. Para pessoas com antecedentes familiares de cancro do pâncreas, a avaliação médica individualizada continua a ser particularmente importante.
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