O presidente da Câmara de Portimão, Álvaro Bila, exige medidas urgentes para garantir o funcionamento do hospital da cidade, depois das mortes de dois utentes que terão ficado sem atendimento. O autarca classificou os casos como de “extrema gravidade”, enquanto a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve anunciou inquéritos para apurar as circunstâncias e eventuais responsabilidades.
Num comunicado citado pela Lusa este sábado, 7 de novembro, o presidente da Câmara anunciou que vai solicitar uma reunião urgente à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e ao Conselho de Administração da ULS do Algarve.
Presidente da Câmara pede que profissionais sejam ouvidos
Álvaro Bila referiu a morte de um homem de 87 anos, “alegadamente após 12 horas de espera”, e um segundo caso de “um doente que terá estado cerca de 24 horas sem observação médica”.
“A isto juntam-se as denúncias dos enfermeiros sobre graves problemas de organização e funcionamento do serviço”, acrescentou.
O autarca manifestou condolências às famílias e solidariedade com “todos os profissionais de saúde que trabalham diariamente sob enorme pressão”. Rejeitou, porém, que estas situações sejam aceites como normais ou que a população fique sem respostas.
“Um hospital existe para cuidar e salvar vidas. A falta de meios, de organização ou de coordenação não pode pôr em risco a segurança dos doentes. As denúncias dos enfermeiros têm de ser levadas a sério. Os profissionais têm de ser ouvidos”, afirmou.
O presidente da Câmara pediu à administração da ULS e ao Ministério da Saúde que apurem responsabilidades e “tomem medidas urgentes para garantir o normal funcionamento do Hospital de Portimão”.
IGAS também vai investigar morte de utente de 87 anos
A ULS do Algarve anunciou em 4 de novembro a abertura de um inquérito à morte de um homem que aguardava atendimento no Serviço de Urgência de Portimão.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) confirmou à Lusa que também vai instaurar um inquérito às circunstâncias da morte do utente de 87 anos, ocorrida na madrugada desse dia. A informação relativa a este inquérito aponta para cerca de dez horas de espera, enquanto o autarca referiu alegadamente 12 horas.
Segundo o presidente da ULS do Algarve, o homem não respondeu à chamada, por volta das 04:00, e foi depois encontrado pelos enfermeiros “inconsciente na sala de espera”.
ULS abriu inquéritos às situações denunciadas internamente
Numa resposta enviada à Lusa este sábado, a ULS confirmou ter recebido uma exposição interna sobre o funcionamento da urgência de Portimão.
“Todas as situações que foram aí descritas originaram a imediata abertura de um inquérito interno”, indicou a unidade, explicando que pretende apurar os factos e as responsabilidades.
A administração considerou ser “precipitado tecer mais considerações” enquanto decorre esse apuramento.
Transferências para enfermarias procuram aliviar urgência
A ULS referiu ainda que a “permanência prolongada de utentes nos hospitais por motivos de natureza social” dificulta o acesso de outras pessoas aos serviços.
Para aliviar o espaço ocupado por estes utentes na urgência, nomeadamente na área de decisão clínica, a administração solicitou aos diretores de departamento e de serviço de várias especialidades que agilizem a sua transferência para as respetivas enfermarias.
Segundo a ULS, esta resposta operacional procura “mitigar o problema” dos casos sociais no Serviço de Urgência.
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