Notar que os alimentos passaram a saber a metal, ficaram amargos ou perderam o sabor habitual pode causar estranheza. Estas alterações têm várias causas possíveis, entre as quais problemas de saúde oral, medicamentos e doença renal. Por si só, não permitem identificar o que está a acontecer.
Segundo a National Kidney Foundation, uma fundação norte-americana dedicada à saúde dos rins, a acumulação de resíduos no organismo pode afetar o paladar e provocar náuseas ou falta de apetite quando os rins não funcionam adequadamente.
O que liga o paladar ao funcionamento dos rins
Os rins ajudam a eliminar resíduos do sangue. Quando a sua capacidade de filtragem diminui significativamente, substâncias como a ureia podem acumular-se no organismo. Esta situação pode alterar a composição da saliva e a perceção dos sabores.
A nefrologista Kalyani Perumal, do sistema de saúde norte-americano Cook County Health, explicou à revista Parade que estas manifestações podem surgir em fases avançadas: “Muitos não apresentam sinais de doença renal até estarem em fases avançadas”.
As alterações também podem prejudicar a alimentação. Algumas pessoas deixam de ter vontade de comer ou sentem-se satisfeitas após poucas garfadas. Com o tempo, a redução da ingestão alimentar pode contribuir para perda de peso e problemas nutricionais.
Um sabor metálico também pode ter outras causas
O NHS, o serviço público de saúde britânico, esclarece que um sabor metálico na boca geralmente não corresponde a uma situação grave.
Entre as causas possíveis estão doenças das gengivas, determinados medicamentos, constipações, infeções dos seios perinasais, indigestão e gravidez. Alterações do olfato também podem modificar a forma como se sente o sabor dos alimentos.
A recomendação é procurar avaliação médica quando o sabor metálico persiste ou não tem uma explicação evidente. Se houver suspeita de relação com um medicamento, deve pedir aconselhamento e evitar interromper um tratamento prescrito por iniciativa própria.
Outros sinais que podem acompanhar a doença renal
Cansaço persistente, perda de apetite, inchaço nos tornozelos, pés ou mãos, comichão, cãibras e alterações na frequência urinária estão entre as manifestações possíveis da doença renal crónica.
Contudo, a doença pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Por isso, sentir-se bem não exclui alterações no funcionamento dos rins. O NHS explica que alguns casos são detetados através de análises realizadas por outros motivos.
Como se avalia a saúde dos rins
A investigação passa habitualmente por análises ao sangue e à urina. A medição da creatinina no sangue permite estimar a taxa de filtração glomerular, um indicador do funcionamento dos rins. Na urina, pode avaliar-se a presença de albumina, uma proteína cuja perda pode indicar lesão renal.
O médico interpreta estes resultados em conjunto com os sintomas e o historial clínico. Pessoas com diabetes, hipertensão arterial ou antecedentes familiares de doença renal avançada podem precisar de avaliações regulares, mesmo sem alterações no paladar ou outras queixas.
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