Há encontros que nos fazem regressar a casa com mais do que recordações. Levamos perguntas, ideias, novas perspetivas e, sobretudo, a consciência de que ainda há muito por fazer.
A minha participação no congresso internacional do G100, em Sesimbra, foi uma dessas experiências.
Reunir mulheres de diferentes países, culturas, percursos e áreas de intervenção em torno de uma causa comum é, por si só, uma afirmação de força. Cada uma chega com a sua história, as suas escolhas e a sua maneira de olhar o mundo. É nessa diferença que reside uma parte essencial da nossa riqueza coletiva.
O empoderamento feminino não é uma competição
Durante demasiado tempo, as mulheres viram os seus caminhos condicionados por limites impostos, oportunidades desiguais e expectativas que nem sempre lhes permitiram escolher livremente.
Falar de empoderamento feminino é falar da possibilidade de cada mulher desenvolver as suas capacidades, participar nas decisões, liderar projetos, criar empresas, produzir conhecimento e transformar comunidades sem ter de abdicar da sua identidade.

É também compreender que esse caminho precisa de colaboração, de partilha de conhecimento e de disponibilidade para reconhecer o mérito umas das outras.
Quando uma mulher abre uma porta, pode ajudar outras a atravessá-la. Quando partilha a sua experiência, transforma uma dificuldade individual numa aprendizagem coletiva. Quando usa a sua posição para dar espaço a quem ainda não é ouvido, contribui para uma mudança que ultrapassa os seus próprios interesses.
O progresso mede-se também pelas condições que criamos para que outras mulheres possam avançar.
A diferença que nos aproxima
Num encontro internacional, a diversidade é uma oportunidade de aprendizagem.
Há diferenças de língua, de contexto, de oportunidades e de prioridades. Há realidades que podem parecer distantes, mas também preocupações que nos aproximam. Escutar essas perspetivas é reconhecer que existem muitas maneiras de ser mulher, de exercer liderança e de contribuir para a sociedade.
Precisamos de mulheres na ciência, na política, na educação, na economia, na cultura, na tecnologia e na diplomacia. Precisamos da sua participação nos espaços onde se tomam decisões que afetam a vida de todos.
Precisamos igualmente de reconhecer o trabalho das mulheres que transformam as suas comunidades longe dos grandes palcos. Das que ensinam, cuidam, criam emprego, preservam património ou encontram soluções para problemas que raramente chegam às notícias.
A diversidade torna-se uma força quando se traduz em oportunidades, em participação nas decisões e em respeito nas práticas quotidianas.
Participar nas respostas do nosso tempo
As mudanças tecnológicas, os desafios económicos, as desigualdades sociais, os conflitos e as questões ambientais exigem conhecimento, capacidade de diálogo e responsabilidade coletiva.
As mulheres contribuem diariamente para estas respostas. O desafio está em garantir que possam fazê-lo em condições justas, com acesso aos recursos necessários, sendo ouvidas e vendo o seu trabalho reconhecido.
Também a liderança pode ganhar com a diversidade de experiências, de prioridades e de formas de construir consensos. Não existe uma única maneira feminina de liderar, tal como não existe um percurso que todas tenhamos de seguir.
Importa que nenhuma pessoa seja limitada pelo seu género e que os talentos, as ideias e a capacidade de realização encontrem espaço para se desenvolver.
Uma sociedade mais justa beneficia todos.
Levar uma história ao mundo
A minha participação no congresso teve também uma dimensão pessoal e criativa. Tive a oportunidade de falar do meu livro, A Viajante do Tempo, que estou agora a preparar para chegar a leitores de língua inglesa.
Partilhar um livro num contexto internacional é aceitar que uma história pode ultrapassar as fronteiras em que nasceu. É permitir que outras pessoas a leiam a partir das suas próprias experiências, encontrem nela perguntas diferentes e estabeleçam ligações que talvez nunca tivéssemos imaginado.
Senti essa possibilidade ao levar comigo uma obra que faz parte do meu percurso. A escrita, tantas vezes feita em silêncio, torna-se um lugar de encontro quando chega aos leitores.
Tal como acontece com as pessoas, também as ideias ganham novas possibilidades quando circulam e entram em diálogo com outras perspetivas.
Levar a nossa voz a novos espaços exige coragem e abertura para escutar. E talvez essa seja uma das oportunidades mais valiosas destes encontros: perceber que podemos afirmar a nossa identidade e, ao mesmo tempo, deixarmo-nos enriquecer pela diferença.
O futuro constrói-se em conjunto
Regressei de Sesimbra a pensar na responsabilidade que acompanha a possibilidade de participar nestes espaços.
Como transformar os contactos em colaboração? Como dar continuidade às conversas? Como fazer chegar estas oportunidades a mulheres que não puderam estar presentes?
São perguntas que merecem acompanhar-nos depois de terminado o congresso. A igualdade ganha sentido quando se traduz em escolhas concretas: partilhar uma oportunidade, reconhecer um contributo, apoiar um projeto, criar condições para que alguém possa participar.
O empoderamento feminino é também um processo coletivo, feito de trabalho, solidariedade e persistência. Precisa de relações que continuem para além dos encontros e de compromissos que encontrem expressão na vida quotidiana.
Saio desta experiência com a convicção de que cada mulher tem uma história que merece ser ouvida e um contributo que pode fazer a diferença.
Quando criamos condições para que essas histórias se encontrem e esses contributos sejam reconhecidos, ampliamos o futuro de todos nós.
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