Os portugueses podem enfrentar uma subida dos preços superior àquela que o Governo está a antecipar para 2027. O aviso foi deixado pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP), que identificou riscos nas previsões económicas apresentadas na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano.
Apesar de ter validado o cenário macroeconómico do Executivo, a entidade independente considera que a inflação poderá ser mais elevada do que o previsto, uma situação que pode afetar diretamente o poder de compra das famílias.
O alerta consta de um parecer divulgado a 8 de outubro, no qual o organismo analisa as previsões económicas que servem de base à proposta de Orçamento do Estado para 2027.
Governo prevê inflação de 2,3% em 2027
Na proposta orçamental, o Ministério das Finanças aponta para uma inflação de 2,9% em 2026, seguida de uma desaceleração para 2,3% em 2027.
Isto significa que o Governo espera que os preços continuem a aumentar no próximo ano, embora a um ritmo inferior ao registado durante 2026.
Contudo, o Conselho das Finanças Públicas considera que estas previsões podem estar abaixo da evolução real dos preços.
“No que respeita à inflação, destaca-se uma potencial subestimação tanto em 2026, como em 2027”, refere o organismo no parecer divulgado, citado pela agência Lusa e pelo ECO.
A entidade considera que a previsão para 2027 apresenta riscos de subida, nomeadamente devido à evolução esperada dos preços da energia.
O que significa este aviso para os portugueses?
Se a inflação acabar por ser superior aos 2,3% previstos pelo Governo, as famílias poderão enfrentar aumentos de preços mais elevados do que aqueles que estão atualmente contemplados no cenário económico oficial.
Na prática, isto pode traduzir-se numa maior pressão sobre despesas essenciais, como alimentação, transportes, eletricidade e outros bens e serviços.
Por exemplo, uma família que gaste 1.000 euros mensais num determinado conjunto de produtos e serviços passaria a gastar 1.023 euros se os respetivos preços aumentassem 2,3%.
Caso a subida fosse de 3%, a mesma despesa passaria para 1.030 euros. A diferença seria de sete euros por mês, ou 84 euros ao longo de um ano, admitindo que os hábitos de consumo se mantinham.
Este exemplo é meramente ilustrativo, uma vez que a inflação não afeta todos os produtos da mesma forma e cada família tem padrões de consumo diferentes.
Crescimento da economia também preocupa
O Conselho das Finanças Públicas não deixou apenas avisos relacionados com os preços.
O organismo identificou igualmente riscos de o crescimento económico em 2027 ficar abaixo dos 2,1% previstos pelo Governo.
Embora considere o cenário apresentado pelo Ministério das Finanças globalmente provável do ponto de vista estatístico, a entidade alerta para a possibilidade de a economia portuguesa não conseguir atingir o ritmo de crescimento esperado.
Um crescimento inferior ao previsto pode ter consequências para a evolução dos rendimentos, do emprego e das receitas fiscais, embora esses efeitos dependam das condições económicas que se venham a verificar.
Preços mais altos podem reduzir o poder de compra
Uma inflação superior à prevista não significa necessariamente que todos os portugueses fiquem com menos dinheiro disponível.
O impacto depende também da evolução dos salários, das pensões e de outros rendimentos.
No entanto, quando os preços aumentam mais rapidamente do que os rendimentos, as famílias perdem poder de compra, uma vez que o mesmo dinheiro permite adquirir menos bens e serviços.
Por enquanto, trata-se de um risco identificado pelo Conselho das Finanças Públicas e não de uma confirmação de que a inflação será superior à prevista.
O parecer surge numa altura em que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 ainda terá de ser discutida e votada na Assembleia da República, antes da sua eventual entrada em vigor a 1 de janeiro.
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