Os descontos anunciados pelos supermercados nem sempre correspondem ao valor que os consumidores acabam por pagar, uma situação que tem motivado centenas de reclamações em Portugal. Entre os problemas comunicados encontram-se promoções que não são aplicadas, cupões que deixam de funcionar e dificuldades na utilização de benefícios associados aos cartões de fidelização.
Segundo o portal de notícias Dinheiro Vivo, o Portal da Queixa recebeu 626 reclamações relacionadas com promoções, descontos e cupões desde o início de 2026, ultrapassando já as 583 registadas durante todo o ano passado. O aumento acompanha uma tendência mais abrangente, uma vez que o setor dos hipermercados e supermercados acumulou 3.406 queixas, mais 19,8% do que as 2.843 contabilizadas no período homólogo de 2025.
Descontos e cupões estão entre os motivos de reclamação
Uma parte das reclamações está relacionada com situações em que os consumidores não conseguem usufruir das vantagens anunciadas pelos estabelecimentos comerciais. Entre os casos identificados encontram-se códigos promocionais que não funcionam, descontos que não são aplicados no momento da compra e condições de campanhas que, segundo os queixosos, não são cumpridas.
Segundo a mesma publicação, os problemas associados a promoções, benefícios e ofertas representam 18,77% das reclamações registadas este ano, quando em 2025 correspondiam a 12,65%. Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, considera que “a experiência de compra vai muito além do preço anunciado”, sublinhando a importância do cumprimento das condições apresentadas aos clientes.
Atendimento continua a ser a principal fonte de insatisfação
Apesar do aumento das queixas sobre descontos, o atendimento e a experiência de compra continuam a ser os motivos que mais reclamações geram. Esta categoria representa 27,78% do total, abrangendo situações em que os consumidores consideram que não receberam a assistência adequada durante as compras ou na resolução de problemas.
Entre as dificuldades relatadas encontram-se tempos de espera prolongados, falta de funcionários, falhas de comunicação e problemas nos canais digitais disponibilizados pelas cadeias de distribuição. O Dinheiro Vivo acrescenta que estas situações continuam a ter maior expressão do que as reclamações relacionadas com promoções, embora ambas as categorias representem uma parte significativa dos registos.
Qualidade dos alimentos também motiva centenas de queixas
A qualidade e a segurança dos produtos constituem outro dos principais motivos de reclamação, representando 25,93% do total registado em 2026. Apesar de este valor ser inferior aos 27,97% verificados no ano passado, continuam a surgir relatos de artigos danificados, produtos considerados impróprios para consumo e problemas relacionados com embalagens ou pesos incorretos.
Os produtos alimentares são os mais mencionados nas reclamações, correspondendo a 40,37% das referências identificadas. Conforme explica a mesma fonte, o talho e a charcutaria destacam-se com 10,66%, seguindo-se as bebidas, com 9,15%, a mercearia e os congelados, com 7,56%, e as frutas e os legumes, que representam 6,56%.
Caixas automáticas também estão a gerar descontentamento
A crescente utilização de sistemas automáticos nos supermercados está igualmente presente nas reclamações dos consumidores. Os registos relacionados com automação e ausência de atendimento humano passaram de 44 em 2024 para 89 em 2026, considerando o mesmo período de cada ano, o que representa mais do dobro das ocorrências.
Segundo a publicação, algumas queixas estão relacionadas com a substituição de caixas tradicionais por equipamentos de pagamento automático. Os consumidores também referem que passaram a realizar tarefas anteriormente asseguradas pelos funcionários. Sobre esta mudança, Pedro Lourenço defende que “a transformação do retalho deve responder às necessidades dos consumidores”, conciliando a modernização dos serviços com a assistência prestada aos clientes.
Lisboa concentra mais reclamações do que qualquer outro distrito
A distribuição geográfica das queixas revela que Lisboa concentra 34,09% dos registos realizados em 2026, seguindo-se o Porto, com 16,82%, e Setúbal, com 12,42%. No que diz respeito à idade, o grupo dos 35 aos 44 anos representa a maior parcela dos consumidores que apresentaram reclamações, correspondendo a 25,78% do total.
Os hipermercados concentram 53,70% das queixas, enquanto os supermercados de grande retalho representam 43,83%. Comparando com o mesmo período do ano anterior, as reclamações aumentaram 21,69% nos hipermercados e 21,09% nos supermercados. Os dados foram divulgados pelo Portal da Queixa num comunicado enviado às redações, no qual a entidade destaca a importância da transparência das condições comerciais e da qualidade do atendimento.
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