Albufeira vai ver retomado o Plano Geral de drenagem lançado pela autarquia em 2016, agora sob direção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), num investimento de 46 milhões de euros destinado a reduzir a exposição da cidade às cheias.
O anúncio foi feito esta quarta-feira pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, durante uma conferência de imprensa em Quarteira, no concelho de Loulé, dedicada aos investimentos previstos para o setor no Algarve.
O plano foi inicialmente apresentado pela Câmara Municipal de Albufeira na sequência das cheias que atingiram a cidade e previa, entre outras intervenções, a construção de um túnel para desviar diretamente para o mar o caudal da ribeira que atravessa a zona urbana. Essa obra nunca chegou a avançar.
A partir de agora, o projeto “é feito em colaboração com a autarquia, mas está a ser dirigido pela Agência Portuguesa do Ambiente”, afirmou Maria da Graça Carvalho.
A ministra classificou-o como “um grande projeto, talvez dos maiores a nível nacional, tirando o de Lisboa, que é um projeto muito grande, mas é quase comparável a esse”, considerando que permitirá responder aos problemas de uma das zonas mais expostas a cheias no Algarve.
Túnel de 1,5 quilómetros representa 33 milhões de euros
O investimento global de 46 milhões de euros será suportado pelo Sustentável 2030, programa dedicado à ação climática e à sustentabilidade, financiado pelo Fundo de Coesão.
O presidente da APA, José Pimenta Machado, salientou que o projeto já se encontra numa fase adiantada de preparação.
“Era um plano que já estava previsto. A boa notícia é que já tem maturidade, já há um projeto, que terá de ser sujeito à avaliação de impacte ambiental”, afirmou.
A principal intervenção será a construção de um túnel com 1,5 quilómetros de extensão, orçado em 33 milhões de euros. O valor representa mais do dobro dos 15 milhões de euros previstos para esta infraestrutura há cerca de uma década.
O túnel permitirá desviar o caudal da ribeira de Albufeira, reduzindo a pressão sobre as zonas baixas da cidade e conduzindo a água diretamente para o oceano.
O funcionamento desta infraestrutura foi explicado em 2016 por José Saldanha Matos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico e responsável pelo desenvolvimento do plano de drenagem.
As cheias de 1 de novembro de 2015 afetaram sobretudo a baixa de Albufeira, onde a água chegou, em alguns locais, aos 1,80 metros de altura, provocando danos na via pública e prejuízos de milhares de euros a comerciantes e empresários.
No âmbito do plano já foram construídas a estação elevatória da Praça dos Pescadores e o coletor de meia encosta poente, destinado à drenagem pluvial na zona do Cerro Grande, entre outras intervenções. Além do túnel, falta ainda construir um coletor a nascente.
Algarve terá 120 milhões para gestão da água até 2028
Durante a visita à região, Maria da Graça Carvalho preside esta tarde, em Faro, à assinatura da primeira tranche de pagamento do Fundo Ambiental, no valor de 3,7 milhões de euros, destinada a investimentos na gestão inteligente da água no Algarve.
Os projetos serão financiados em 40% pelo Fundo Ambiental, cabendo a restante parcela ao programa operacional Algarve 2030.
De acordo com a ministra, está previsto um investimento total de 120 milhões de euros até 2028, com o objetivo de reduzir as perdas de água nas redes de abastecimento público dos atuais 20% para 15%.
A intervenção no litoral algarvio contará ainda com cerca de 32 milhões de euros para obras nos concelhos de Loulé, Faro, Portimão, Lagos e Albufeira.
Segundo o presidente da APA, estes trabalhos incluem a reposição de areais, a reabilitação de arribas e a reestruturação dos molhes de Quarteira, com o objetivo de diminuir os efeitos da erosão costeira.















