Lisboa guarda marcas da ação de Duarte Pacheco em estradas, equipamentos públicos e espaços verdes. O aeroporto, o Parque de Monsanto e a Marginal Lisboa–Cascais estão entre as obras associadas ao engenheiro de Loulé que se tornou ministro e presidente da Câmara da capital.
Na evocação do seu percurso, o Instituto Superior Técnico destaca que “planificou e executou as obras que trouxeram Lisboa e Portugal para o século XX”. A sua carreira atravessou o ensino, a administração municipal e o Governo.
Uma infância marcada pela perda dos pais
O catálogo do seu arquivo pessoal, organizado pelo Técnico, regista uma particularidade sobre o nascimento: o assento de batismo aponta para 1899, mas Duarte Pacheco afirmava ter nascido em 1900, atribuindo a diferença a um engano do pároco.
A família mudou-se de Loulé para Faro depois de o pai ter sido nomeado administrador daquele concelho, em 1901. Perdeu a mãe em 1906 e o pai em 1914, ficando depois ao cuidado do irmão Humberto, que o preparou para exames do liceu.
Aos 17 anos seguiu para Lisboa. Formou-se em Engenharia Eletrotécnica no Técnico em 1923 e, quatro anos depois, foi escolhido por unanimidade pelo Conselho Escolar para dirigir a instituição.
Do ensino para os governos de Salazar
Segundo o Arquivo Histórico da Presidência da República, a primeira passagem de Duarte Pacheco pelo Governo aconteceu em 1928, quando assumiu durante alguns meses o Ministério da Instrução Pública.
Em 1932 tornou-se ministro das Obras Públicas e Comunicações no Governo de Salazar. Deixou a pasta em 1936 e regressou em 1938, ano em que também foi nomeado presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
A sua ação como governante ficou, assim, ligada ao projeto político do Estado Novo e à transformação das infraestruturas do país.
As obras que mudaram Lisboa e a sua envolvente
Ao seu nome ficaram associados empreendimentos como o aeroporto de Lisboa, a Estação Marítima de Alcântara, a Fonte Monumental da Alameda, a Casa da Moeda e o Instituto Nacional de Estatística.
Na área envolvente da capital, destacam-se a Marginal Lisboa–Cascais e o Estádio Nacional, no Jamor. O seu percurso também ficou ligado à expansão urbana e a bairros como Alvalade, Encarnação e Madredeus.
O próprio Técnico constitui uma parte desse legado. O campus da Alameda foi construído sob a sua direção, com projeto do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, ficando concluído em 1937.
Uma intervenção que ultrapassou a capital
A atividade de Duarte Pacheco estendeu-se à rede rodoviária, aos portos, às comunicações e às infraestruturas hidroagrícolas e hidroelétricas.
O Técnico destaca intervenções em portos como Leixões, Aveiro, Setúbal, Vila Real de Santo António, Funchal e Ponta Delgada. A construção e conservação de estradas procurou também melhorar o transporte de pessoas e o escoamento de produtos agrícolas e industriais.
O acidente que interrompeu a carreira
Em 15 de novembro de 1943, Duarte Pacheco deslocou-se a Vila Viçosa para acompanhar os trabalhos da estátua de D. João IV. No regresso a Lisboa, onde pretendia chegar para um Conselho de Ministros, o automóvel em que seguia despistou-se na Estrada Nacional 4, entre Montemor-o-Novo e Vendas Novas.
Gravemente ferido, foi transportado para o Hospital da Misericórdia de Setúbal. Morreu na madrugada de 16 de novembro, ainda no exercício das funções ministeriais.
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