O Movimento Associativo Estudantil (MAE) pediu explicações públicas a André Ventura na sequência da entrada de uma comitiva do Chega nos estúdios da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), durante uma emissão em direto. Entre os elementos presentes encontravam-se as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro.
Numa publicação divulgada pelo Movimento Associativo Estudantil, as estruturas académicas dirigem várias perguntas ao presidente do Chega, entre as quais: “Concorda e subscreve as ações de interferência na programação e emissão da RUC?”
Movimento quer saber se Ventura conhecia a iniciativa
Além de perguntar se André Ventura concorda com a atuação, o movimento pretende saber se o lÃder do Chega tinha conhecimento prévio da iniciativa protagonizada por elementos do partido.
Outra das questões colocadas na carta é se Ventura “autorizou ou autorizaria a entrada das senhoras deputadas nas instalações” da rádio. Os signatários pedem um esclarecimento público que permita, segundo o documento, compreender eventuais responsabilidades polÃticas associadas ao episódio.
Chega tinha sido convidado a participar à distância
O episódio ocorreu quando a RUC realizava um novo programa de debate polÃtico com representantes das juventudes dos partidos com assento na Assembleia da República.
O Chega também tinha sido convidado, mas para participar remotamente. Esta solução estava relacionada com uma deliberação aprovada meses antes em Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra, que impedia a participação do partido em eventos da AAC e a entrada dos seus elementos nas instalações da associação.
O responsável distrital do Chega comunicou à rádio que o partido não aceitaria participar nesses moldes. Posteriormente, uma comitiva entrou no estúdio durante a emissão e Rita Matias utilizou um dos microfones, levando à interrupção do debate. Os elementos do partido abandonaram o local após a chegada de agentes da PSP.
Rita Matias critica condições de participação
Rita Matias justificou a posição do partido com a forma como o Chega tinha sido convidado a participar no programa.
A deputada considerou ofensivo um modelo que, na sua perspetiva, não colocava todas as juventudes partidárias em igualdade de circunstâncias, uma vez que os restantes participantes poderiam estar fisicamente presentes no estúdio.
Movimento fala em “preocupações sérias”
Na carta, as estruturas estudantis salientam a importância da liberdade de programação, da liberdade de informação e da independência editorial dos órgãos de comunicação social.
Sem fazer uma qualificação jurÃdica definitiva do sucedido, matéria que remetem para as autoridades competentes, os subscritores consideram que a interrupção de uma emissão em direto suscita “preocupações sérias” à luz das normas que protegem esses princÃpios.
Carta reúne associações de várias universidades
A posição é subscrita pelas associações académicas das universidades do Algarve, Aveiro, Beira Interior, Coimbra, Évora, Madeira, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro.
Juntam-se as federações académicas de Lisboa e do Porto e a Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico. O objetivo agora é obter de André Ventura uma resposta pública sobre se conhecia previamente a iniciativa e se concorda com a atuação dos elementos do Chega envolvidos.















