Um Airbus A330-900 da Azul Linhas Aéreas Brasileiras está parado no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, desde 17 de abril, depois de uma palete com mais de duas toneladas se ter deslocado no porão durante a aterragem. Os danos foram suficientemente graves para impedir o regresso da aeronave ao Brasil e ainda não é conhecido se será possível repará-la.
Citado pelo Correio da Manhã, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) destaca que o avião tinha partido de Viracopos, em São Paulo, com quase 300 pessoas a bordo. O problema só foi detetado depois da chegada a Lisboa, quando a equipa de assistência abriu o compartimento de carga dianteiro e encontrou uma palete encostada aos painéis da frente.
Palete de 2.570 quilos deslocou-se durante a aterragem
A unidade de carga, conhecida pela sigla ULD, pesava 2.570 quilos. Durante a desaceleração da aeronave após tocar na pista, a palete deslocou-se para a frente e acabou por embater na estrutura dianteira do compartimento.
A inspeção revelou que os fechos XZ correspondentes à posição 23P estavam rebatidos, ou seja, desbloqueados. Estes componentes são instalados nos trilhos do piso do porão e destinam-se precisamente a manter paletes e contentores imóveis durante o voo, turbulência e manobras no solo.
Danos chegaram à estrutura da aeronave
O impacto não afetou apenas os revestimentos internos. O relatório aponta para danos extensos no compartimento de carga e respetiva estrutura de suporte, mostrando que a deslocação de uma carga pesada pode ter consequências para além da própria zona onde esta se encontra instalada.
Uma viga situada no compartimento dianteiro de aviónicos ficou deformada e fraturada numa área imediatamente à frente do porão. Perante a extensão dos estragos identificados, a Airbus não autorizou que o A330 regressasse ao Brasil.
Avião continua em Lisboa desde abril
Desde o incidente de 17 de abril, a aeronave permanece imobilizada no Aeroporto de Lisboa. O aparelho está avaliado em cerca de 290 milhões de euros e continua sem autorização para voltar a voar enquanto não houver uma solução para os danos estruturais identificados.
O caso chama ainda a atenção para a importância dos procedimentos de carregamento. Segundo a informação divulgada, a investigação apontou problemas relacionados com a preparação dos funcionários e com a posição dos mecanismos utilizados para fixar a carga, num episódio em que um componente relativamente simples acabou por estar associado a danos de grande dimensão.
Fechos impedem cargas de circular dentro do porão
Os chamados fechos XZ têm como função restringir o movimento das unidades de carga nos eixos correspondentes. Quando estão corretamente posicionados, mantêm paletes e contentores presos aos trilhos instalados no piso da aeronave.
No Airbus da Azul, os fechos encontrados desbloqueados deixaram de cumprir essa função. A força gerada durante a desaceleração após a aterragem foi então suficiente para fazer avançar a palete até à zona dianteira do compartimento.
Aeronave estava prevista para ser vendida dias depois
O avião afetado tem a matrícula PR-ANY e fazia parte de um conjunto de sete aeronaves que a Azul previa vender a um grupo de aviação que detém a Avianca e a GOL. A entrega deste aparelho estava prevista para 30 de abril, menos de duas semanas depois do incidente em Lisboa.
A transportadora brasileira afirmou, contudo, que a impossibilidade de concretizar essa entrega na data inicialmente prevista não esteve diretamente relacionada com a avaria. Enquanto isso, o A330-900 permanece em Lisboa, à espera de uma decisão sobre a possibilidade de reparação e de voltar a receber autorização para voar.
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