Fernando Alexandre afirmou, na China, que as novas orientações para utilizar a inteligência artificial (IA) nas escolas não terão caráter vinculativo. O ministro da Educação, Ciência e Inovação defende uma abordagem pedagógica que permita acompanhar a evolução da tecnologia, tendo como prioridade melhorar as aprendizagens.
“São orientações”, sublinhou à Lusa, em declarações prestadas na sexta-feira, 16 de outubro, à margem da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino Profissional e Técnico, em Tianjin.
O governante reconheceu que a IA oferece oportunidades para desenvolver as competências dos alunos e melhorar as práticas pedagógicas, mas também apresenta riscos que mudam com o aparecimento de novas aplicações.
“Uma das mensagens nas orientações é precisamente a capacidade de adaptação àquilo que são as novas aplicações que vão surgindo, as novas possibilidades”, explicou.
Documento em consulta pública após um ano de trabalho
As orientações resultam de um trabalho desenvolvido ao longo do último ano, com a auscultação de várias entidades e a recolha de centenas de contributos.
O documento foi colocado em consulta pública em 15 de outubro, procurando agora receber novas contribuições das escolas e da comunidade educativa.
Fernando Alexandre adiantou que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que acompanha a reforma do sistema educativo português, deverá também contribuir para o texto, nomeadamente na área da transformação digital.
Ministro defende avaliação dos benefícios das ferramentas digitais
O desenvolvimento das competências digitais ocupa um lugar central na estratégia do Governo, afirmou o ministro. Ressalvou, contudo, que a introdução de ferramentas nas escolas deve ser acompanhada de regras e de uma avaliação dos seus benefícios.
Como exemplos, apontou a regulamentação do uso dos telemóveis nas escolas e a diminuição do recurso aos manuais digitais nos últimos dois anos.
“Aquilo que aconteceu nos últimos dois anos foi uma redução até significativa do uso dos manuais digitais, precisamente porque a evidência do seu benefício não era óbvia”, declarou.
Inteligência artificial também coloca desafios à avaliação
Questionado sobre a possibilidade de reforçar as provas orais e presenciais, numa altura em que muitos trabalhos são realizados com recurso à IA, Fernando Alexandre considerou que essa preocupação é particularmente relevante no ensino superior.
“No básico e no secundário, isso não tem uma grande relevância”, afirmou, referindo-se ao peso dos trabalhos realizados fora da sala de aula na avaliação dos estudantes.
O governante reconheceu, porém, que a utilização da tecnologia tem consequências nas duas vertentes: “Estas orientações afetam não apenas o ensino, como também a avaliação”.
Recordou ainda que, enquanto professor universitário, já tinha alterado o modelo de avaliação de uma disciplina em resposta à utilização destas ferramentas.
“Em 2022, mudei no próprio semestre a avaliação, porque tinha um ensaio e ele foi alterado para apresentações orais”, afirmou.
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