A visita do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, à Universidade do Algarve (UAlg), nos dias 22 e 23 de setembro, ficou marcada pela deslocação ao local onde será construído o futuro Campus do Barlavento, em Portimão, e pela inauguração de duas novas residências universitárias em Faro.
Com conclusão prevista para 2029 e financiamento através de fundos europeus geridos pelo Programa Regional ALGARVE 2030, o futuro edifício universitário terá uma área total de 6.881 metros quadrados, distribuída por dois pisos, e integrará um auditório, salas de aula, laboratórios, biblioteca e cantina.

A nova infraestrutura deverá permitir à Universidade reforçar a presença no Barlavento algarvio, através da criação ou expansão da oferta de cursos técnicos superiores profissionais, licenciaturas e mestrados em áreas consideradas relevantes para o desenvolvimento regional.
Durante a visita, a reitora da UAlg, Alexandra Teodósio, apresentou ao ministro um diagnóstico estratégico sobre alguns dos principais desafios estruturais da região, apontando défices ao nível das qualificações, investimento em investigação e desenvolvimento, salários e diversificação económica, apesar do dinamismo empresarial e económico do Algarve.
Campus do Barlavento pretende reforçar qualificações e retenção de estudantes
Neste contexto, a Universidade do Algarve defende o reforço do investimento no ensino superior e na investigação, atribuindo particular importância ao futuro Campus do Barlavento enquanto instrumento para aumentar a capacidade formativa e melhorar a retenção de estudantes no oeste algarvio.

Segundo a UAlg, a proporção de estudantes do Barlavento que permanece na região para frequentar o ensino superior é significativamente inferior ao peso que esta zona representa entre os alunos matriculados no 12.º ano.
A estratégia da Universidade contempla ainda investimentos em saúde, economia azul, formação avançada e alojamento universitário, procurando contribuir para a retenção de talento, diversificação económica e aproximação do Algarve aos indicadores nacionais.

Até 2030, a UAlg estima que os futuros campi do Barlavento e da Saúde possam contribuir para captar mais de 2.000 estudantes, reforçando simultaneamente a produção conjunta de conhecimento entre academia, empresas e sociedade civil.
Para Álvaro Bila, presidente da Câmara Municipal de Portimão, a cidade, para além de um destino turístico, “pode e deve ser também uma cidade de inovação, de talento e de futuro”, considerando o novo Campus a “primeira peça de uma nova centralidade”.

Segundo o autarca, o Município prevê instalar na mesma zona uma piscina olímpica, um centro social com lar e creche e um grande parque urbano.
Já Fernando Alexandre destacou o carácter “profundamente transformador” do projeto e a capacidade demonstrada pela Universidade do Algarve para congregar os municípios em torno dos seus projetos.
O ministro considerou igualmente que o Campus do Barlavento, através da qualificação da população, “pode mudar significativamente a economia desta Região”.
Novas residências acrescentam 296 camas em Faro
No segundo dia da visita, 23 de setembro, Fernando Alexandre inaugurou duas novas residências universitárias da UAlg, uma no Campus de Gambelas e outra no Campus da Penha, em Faro.
Na cerimónia, Alexandra Teodósio apontou o alojamento estudantil como um dos principais desafios enfrentados pelos estudantes e pelas famílias no momento de ingresso no ensino superior.

Para a reitora, investir em alojamento estudantil significa também “investir em igualdade de oportunidades no acesso e permanência no Ensino Superior”.
Financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), as duas novas residências foram, segundo Alexandra Teodósio, “pensadas para a vida académica de hoje”, procurando assegurar condições funcionais, confortáveis e inclusivas, com espaços destinados ao estudo, autonomia, convívio e bem-estar.
“Não basta abrir as portas da Universidade. É preciso criar condições para que cada estudante possa aqui viver, estudar, crescer e concluir o seu percurso com dignidade”, sublinhou Alexandra Teodósio.
Para André Botelheiro, administrador dos Serviços de Ação Social (SAS) da Universidade do Algarve, as duas novas residências são “projetos que representam capacidade de realização, compromisso institucional e, acima de tudo, o trabalho de muitas pessoas”.
O investimento global ronda os 18 milhões de euros, dos quais mais de 8,8 milhões são assegurados pela própria Universidade do Algarve. As novas infraestruturas acrescentam 296 camas à rede de alojamento universitário, 129 no Campus da Penha e 167 em Gambelas.
As residências dispõem de quartos individuais e duplos, quartos adaptados, apartamentos, espaços de estudo e convívio, cozinhas partilhadas, lavandarias e estacionamento para bicicletas.

As duas infraestruturas apresentam ainda classificação energética A e A+, produção fotovoltaica para autoconsumo, bombas de calor, climatização, isolamento térmico e sistemas de gestão técnica centralizada.
Com esta expansão, a capacidade total da rede de residências da Universidade do Algarve passa a abranger 837 estudantes. Mais de 200 já se encontram alojados nas duas novas residências e, no conjunto da rede, aproximadamente três em cada quatro residentes são bolseiros.
André Botelheiro reconheceu que “construir foi um enorme desafio”, acrescentando que “gerir bem aquilo que construímos será o próximo”.
O administrador dos SAS afirmou ainda que a maior capacidade permitirá “ambicionar responder cada vez melhor aos estudantes economicamente mais vulneráveis e, simultaneamente, começar a acolher outros públicos”, entre os quais estudantes não bolseiros, internacionais, de mobilidade, mestrado e doutoramento.

Em representação dos estudantes, o presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve (AAUAlg), Tomás Silva, considerou que “estas quase 300 camas representam parte de uma solução concreta para o problema da sazonalidade que afeta o mercado da habitação no Algarve”.
O dirigente associativo deixou também um apelo à tutela: “Continue a olhar para o Algarve, não como uma exceção, mas como parte integrante da solução para o futuro do Ensino Superior português.”

No encerramento da sessão, Fernando Alexandre felicitou a Universidade do Algarve pela concretização das novas residências, destacando o “esforço de muita gente por todo o País”.
O ministro defendeu ainda que as residências universitárias devem constituir “espaços de democracia”, acessíveis a qualquer estudante, classificando o investimento em alojamento estudantil como um dos “mais importantes e com mais benefícios para a sociedade”.
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