A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) está a promover “miniassembleias da saúde” em escolas básicas e secundárias para esclarecer os jovens sobre infeções sexualmente transmissíveis. As iniciativas envolvem mais de 1.000 alunos entre os 14 e os 18 anos, que participam no debate e na transmissão de informação aos colegas.
As sessões integram a campanha #semvergoha, com o apoio científico da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida (APECS). Em declarações à Lusa, a presidente da SPLS, Cristina Vaz de Almeida, defendeu que os jovens devem ser “os protagonistas da mudança”.
A iniciativa surge num contexto em que quase 30% dos novos casos de VIH registados em 2024 ocorreram em pessoas com menos de 30 anos. No conjunto dos novos diagnósticos, 53,9% foram identificados numa fase avançada da infeção, segundo os dados citados pela Lusa.
Informação simples e discussão em pequenos grupos
As miniassembleias são desenvolvidas com os próprios alunos. Médicos ou enfermeiros começam por transmitir informação em linguagem simples, seguindo-se a divisão dos participantes em grupos para debater temas como a sífilis, o VIH e a sida, a transmissão das infeções e a utilização correta do preservativo.
“Para haver desenvolvimento de competências nestes jovens, não pode ser uma ação meramente expositiva. Temos de adaptar ao perfil”, explicou Cristina Vaz de Almeida.
A responsável associa o aumento das infeções sexualmente transmissíveis entre os jovens a “comportamentos de risco e falta de literacia em saúde”, tanto dos adolescentes como das famílias.
A abordagem procura reduzir o estigma e “normalizar os comportamentos protetores”, permitindo que a informação circule de forma simples e que os alunos transmitam mensagens corretas entre si.
No final, as miniassembleias são publicadas e os participantes podem rever-se. “Gostam de ver que são eles os atores da mudança”, afirmou a presidente da SPLS.
Saber aceder à internet não significa saber usar informação de saúde
Cristina Vaz de Almeida alertou que a familiaridade dos jovens com o meio digital não garante capacidade para compreender e utilizar informação sobre saúde.
“Têm literacia digital, sabem aceder ao digital, mas não têm literacia em saúde digital, não sabem usar o conhecimento quando estão dentro do digital”, observou.
Perante a dificuldade de mudar comportamentos, a responsável considera as escolas um espaço privilegiado de intervenção.
“Promover a literacia em saúde nas escolas é investir na capacidade dos jovens para compreenderem a informação, avaliarem as suas opções e tomarem decisões informadas sobre a sua saúde e o seu bem-estar”, defendeu.
Para isso, acrescentou, é necessário “criar espaços de confiança, onde os jovens possam falar sem vergonha, esclarecer dúvidas sem receio de julgamento e aceder a informação clara, rigorosa e adequada à sua idade”.
Sessões previstas em Lisboa, Peniche, Felgueiras e Lousada
Em outubro, as miniassembleias passam pela Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, nos dias 20 e 22, e pela Escola Básica Marquesa de Alorna, também na capital, no dia 29.
Em Peniche, a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Atouguia da Baleia recebe a iniciativa em 28 de outubro.
No dia 18 de novembro, estão previstas sessões nas escolas secundárias de Felgueiras e de Lousada.
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