Vários milhares de pessoas concentraram-se, na tarde deste sábado, 10 de outubro, no Largo do Intendente, em Lisboa, para protestar contra o aumento do custo de vida e as dificuldades no acesso à habitação. A manifestação reúne participantes de diferentes idades, que exigem medidas para aliviar os encargos das famílias.
Segundo a agência Lusa, o largo já estava repleto de manifestantes poucos minutos antes da hora marcada para o início do protesto, às 17h00. Ao longo da tarde, continuaram a chegar pessoas, algumas em grupo e outras individualmente, transportando cartazes com mensagens de descontentamento.
A iniciativa foi organizada pela plataforma «Não dá mais para viver assim», que convocou manifestações em várias cidades portuguesas para denunciar o peso crescente das despesas essenciais nos orçamentos familiares.
Rendas elevadas obrigam adultos a continuar em casa dos pais
Entre as principais preocupações dos participantes está a dificuldade em encontrar uma casa a preços acessíveis, sobretudo nas grandes cidades.
Teresa Fonseca, uma das manifestantes ouvidas pela Lusa, relatou que os preços praticados no mercado de arrendamento obrigam muitas pessoas a procurar habitação longe dos centros urbanos ou a continuar a viver com os pais depois dos 30 anos.
Esta realidade está no centro das reivindicações da plataforma, que considera necessário adotar medidas para limitar o aumento das rendas e das prestações associadas à compra de habitação.
Os organizadores defendem também o reforço da habitação pública e o fim dos benefícios fiscais que, na sua perspetiva, favorecem a especulação imobiliária.
Protestos chegam a outras cidades portuguesas
A mobilização deste sábado não se limita à capital. Foram igualmente convocadas manifestações para Aveiro, Braga e Porto, numa iniciativa que pretende dar dimensão nacional às preocupações relacionadas com o custo de vida.
Em Aveiro, a concentração foi marcada para as 15h30, na Praça Doutor Joaquim de Melo Freitas. Já em Braga, o ponto de encontro escolhido foi o coreto da Avenida Central, enquanto no Porto os manifestantes foram convocados para a Praça de D. João I, às 17h00.
O Funchal também integrou a mobilização, com uma concentração convocada para a manhã deste sábado.
A plataforma reúne mais de 30 organizações, incluindo sindicatos e associações ligadas à defesa do direito à habitação, à igualdade e à inclusão social.
Preços dos alimentos e combustíveis também motivam protestos
Além da habitação, os manifestantes contestam o peso das despesas com alimentação, energia e combustíveis.
Entre as propostas apresentadas pelos organizadores está o controlo dos preços dos bens essenciais e a criação de impostos sobre os lucros extraordinários de grandes empresas dos setores bancário, energético e da distribuição.
A plataforma considera que estas receitas poderiam financiar medidas destinadas a reduzir os encargos suportados pelas famílias.
Os promotores criticam ainda a resposta do Governo à subida do custo de vida e defendem uma intervenção mais abrangente para proteger o poder de compra.
A manifestação em Lisboa decorre sob uma mensagem comum às restantes cidades: “Não dá mais para viver assim”. Até ao momento da informação divulgada pela Lusa, não tinha sido apresentado um número definitivo de participantes.
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