O poeta e histórico socialista Manuel Alegre, de 90 anos, está internado no Hospital da Luz, em Lisboa, devido a uma pneumonia. Segundo a Renascença, que confirmou a informação junto de uma fonte próxima, o internamento ocorreu durante a madrugada desta quarta-feira, 21 de outubro.
A notícia foi inicialmente avançada pela SIC Notícias. De acordo com a estação televisiva, o antigo vice-presidente da Assembleia da República encontra-se estabilizado, embora a situação seja considerada “delicada”.
Completou 90 anos em maio
Manuel Alegre celebrou o seu 90.º aniversário a 12 de maio. Na ocasião, deixou uma mensagem de participação cívica e apelou aos mais velhos para que continuassem a pensar no futuro, sem desistirem das suas convicções.
“Continuo a pensar no futuro”, afirmou aos jornalistas, à entrada para um jantar de homenagem realizado num hotel em Lisboa. Acompanhado pelo filho Francisco Alegre Duarte, acrescentou: “Não abdicarmos de nós próprios e de pensar pela nossa cabeça”.
O encontro reuniu mais de uma centena de pessoas e contou com a presença do Presidente da República, António José Seguro, além de várias figuras da vida política portuguesa.
Um percurso de décadas no Parlamento
A trajetória política de Manuel Alegre passou pela Assembleia Constituinte e pelas dez primeiras legislaturas da Assembleia da República, como documenta a sua biografia parlamentar. Exerceu também funções governativas, nomeadamente como secretário de Estado da Comunicação Social e porta-voz do primeiro Governo Constitucional.
Entre 1995 e 2009, foi vice-presidente da Assembleia da República. Concorreu ainda à Presidência da República em duas ocasiões, nas eleições de 2006 e de 2011, mantendo uma presença na vida pública para além do trabalho parlamentar.
Uma carreira literária distinguida com o Prémio Camões
Nascido em Águeda, em 1936, Manuel Alegre construiu uma obra que atravessa a poesia, o romance, o conto e o ensaio. Entre os seus livros mais conhecidos encontram-se Praça da Canção, publicado em 1965, e O Canto e as Armas, de 1967.
De acordo com o Instituto Camões, estas obras foram proibidas pela censura e circularam em cópias manuscritas e datilografadas. Os poemas, posteriormente musicados e cantados, ficaram associados à resistência à ditadura.
O reconhecimento da sua carreira inclui o Prémio Pessoa, recebido em 1999, e o Prémio Camões, atribuído em 2017. Esta última distinção reconheceu o conjunto de uma obra literária desenvolvida ao longo de várias décadas.
















