Bilhetes gratuitos ou com desconto terão sido emitidos a visitantes que não reuniam os requisitos para beneficiar dessas condições no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa. A Polícia Judiciária (PJ) deteve dois funcionários da instituição, suspeitos de se apropriarem de parte dos valores pagos pelos visitantes através desse método.
Segundo a agência de notícias Lusa, a própria Museus e Monumentos de Portugal (MMP), empresa pública responsável pelo equipamento cultural, tinha detetado irregularidades relacionadas com a bilheteira e desencadeou os procedimentos que acabariam por conduzir à investigação policial.
Sistema de descontos está no centro das suspeitas
Os dois funcionários, um homem e uma mulher de 48 e 61 anos, são suspeitos de emitir bilhetes e documentos de faturação através de categorias destinadas a situações de desconto ou gratuitidade, mesmo quando os visitantes não estavam abrangidos por esses regimes.
Segundo os elementos divulgados pela PJ, os clientes pagariam o valor correspondente à entrada, mas no sistema ficaria registado um título mais barato ou gratuito. A diferença entre o montante entregue pelo visitante e aquele que surgia associado ao bilhete terá sido, segundo a suspeita das autoridades, apropriada pelos funcionários.
Investigação começou depois de alerta interno
A Museus e Monumentos de Portugal confirmou que a ação realizada pelas autoridades ocorreu no Museu Nacional dos Coches e esclareceu que o processo teve origem dentro da própria organização, após terem sido identificadas situações anómalas na operação da bilheteira.
A empresa pública garante estar a fornecer às autoridades todos os elementos solicitados para o apuramento dos factos. Apesar da investigação em curso, a entidade manifestou também confiança na direção do museu e nos restantes profissionais que trabalham diariamente naquela instituição.
PJ admite que esquema possa ser mais antigo
A investigação desenvolvida pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção centra-se, para já, em factos ocorridos desde março de 2026. No entanto, a PJ admite que a alegada prática possa ter começado antes dessa data.
Determinar a duração exata da atividade será, por isso, uma das questões a esclarecer no decorrer do processo. A informação divulgada até ao momento também não quantifica o número de bilhetes envolvidos nem o montante total que poderá ter sido desviado.
Operação levou a quatro buscas
As detenções ocorreram no âmbito da operação denominada Free Pass, que incluiu o cumprimento de quatro mandados de busca, tanto domiciliários como noutros locais, na Área Metropolitana de Lisboa.
Na operação estiveram envolvidos nove inspetores e quatro especialistas de polícia científica da PJ, além de um magistrado do Ministério Público. Os factos investigados são suscetíveis de integrar crimes de peculato e falsidade informática, de acordo com a Polícia Judiciária.
Museu diz estar a colaborar com as autoridades
O Museu Nacional dos Coches integra a rede gerida pela Museus e Monumentos de Portugal, que sublinhou ter aplicado os procedimentos legalmente previstos assim que tomou conhecimento das irregularidades identificadas internamente.
A investigação deverá agora procurar perceber quantos bilhetes foram emitidos através das categorias alegadamente utilizadas de forma indevida, quais os valores envolvidos e desde quando poderá ter ocorrido a prática. Até uma decisão judicial, os dois funcionários detidos beneficiam da presunção de inocência e as suspeitas atribuídas pela Polícia Judiciária permanecem por provar.
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