Novembro vai trazer um aumento do rendimento líquido para muitos trabalhadores e pensionistas. A retenção na fonte de IRS será reduzida em 50% durante esse mês, uma medida excecional que também se aplica ao subsídio de Natal quando este for pago em novembro. l
A alteração já está formalizada no Despacho n.º 12523-A/2026, publicado pela Autoridade Tributária, que aprova os ajustamentos às tabelas de retenção na fonte para novembro. Em dezembro voltam a aplicar-se as tabelas atualmente em vigor.
Ganha 1.000 euros? Pode ficar com mais 36 euros
As simulações realizadas pela Lusa mostram como a redução se traduz em dinheiro disponível. Um trabalhador solteiro sem filhos que receba 1.000 euros brutos desconta atualmente 35 euros de IRS por mês. Em novembro, a retenção baixa para 17 euros.
Se receber também o subsídio de Natal de 1.000 euros nesse mês, serão retidos mais 17 euros sobre essa prestação. No total, pagará 34 euros de IRS, contra os 70 euros que seriam cobrados sem a redução. Na prática, ficam mais 36 euros disponíveis.
Com 1.500 euros, diferença chega aos 168 euros
Para um salário bruto de 1.200 euros, a retenção habitual de 96 euros baixa para 48 euros. Com salário e subsídio de Natal, o total retido será de 96 euros, em vez de 192, uma diferença de 96 euros.
Já num salário de 1.500 euros, a retenção mensal passa de 168 para 84 euros. Considerando também o subsídio de Natal, serão retidos 168 euros em vez de 336, deixando mais 168 euros no rendimento disponível.
Quem ganha 2.000 euros pode receber mais 302 euros
Com um vencimento bruto de 2.000 euros, a retenção mensal habitual é de 301 euros. Em novembro, deverá ficar nos 150 euros.
Aplicando o mesmo valor ao subsídio de Natal, o trabalhador terá uma retenção total de 300 euros, contra os 602 euros que pagaria normalmente sobre as duas remunerações. A diferença é de aproximadamente 302 euros.
Num salário de 3.000 euros, a retenção baixa de 663 para 331 euros em cada pagamento. Somando salário e subsídio, a diferença chega a cerca de 664 euros.
Para quem recebe 5.000 euros brutos, a retenção mensal desce dos 1.452 para 726 euros, o que pode representar mais 1.452 euros disponíveis no conjunto do salário e do subsídio de Natal.
Pensionistas também vão sentir a diferença
A medida abrange igualmente as pensões. Num pensionista casado que receba 1.000 euros brutos, a retenção habitual de 20 euros baixa para 10 euros. Se receber também o subsídio de Natal, serão retidos 20 euros no conjunto das duas prestações, em vez de 40.
Numa pensão de 1.500 euros, a retenção passa de 151 para 75 euros por pagamento. Considerando a pensão e o subsídio, a diferença é de cerca de 152 euros.
Já numa pensão de 3.000 euros, a retenção passa de 678 para 339 euros, o que representa uma diferença total de 678 euros quando se contabiliza também o subsídio de Natal.
Quem recebe até 920 euros não deverá sentir diferença
Os salários e pensões até 920 euros não estão atualmente sujeitos a retenção na fonte de IRS devido ao mínimo de existência. Nestes casos, reduzir a retenção em 50% não produz um benefício imediato, uma vez que o valor já é zero.
Atenção: o IRS não baixou 50%
Há uma distinção importante. A medida não significa que o imposto anual de cada contribuinte tenha sido reduzido para metade.
O que baixa 50% durante novembro é apenas a retenção na fonte, isto é, o dinheiro adiantado mensalmente ao Estado por conta do IRS final. O ajustamento pretende refletir ainda em 2026 a redução das taxas do imposto aprovada pelo Parlamento.
Como haverá menos imposto retido, o valor recebido agora também poderá influenciar o acerto feito na declaração de IRS de 2027, nomeadamente através de um reembolso mais baixo ou, dependendo da situação individual, de imposto adicional a pagar.
Assim, novembro será excecional: trabalhadores e pensionistas abrangidos ficam com mais dinheiro disponível nesse mês, mas em dezembro regressam as retenções normais.
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