Um homem decidiu agir por iniciativa própria esta quarta-feira, 21 de outubro, ao subir à estátua de D. Pedro IV, na Praça do Rossio, em Lisboa, para retirar cartazes associados ao movimento de protesto pelo direito à habitação. O episódio aconteceu ao final da manhã e foi acompanhado por jornalistas que se encontravam no local.
Segundo o Diário de Notícias (DN), o homem recusou identificar-se, apresentando-se apenas como um cidadão comum que não concordava com a utilização do monumento para colocar materiais de protesto.
Perante os jornalistas, justificou a sua intervenção com o estado em que considerava encontrar-se aquele espaço público, defendendo que os monumentos devem ser respeitados, independentemente das causas que motivam as manifestações.
Homem sobe ao monumento e retira cartazes
O episódio ocorreu numa altura em que os protestos relacionados com o acesso à habitação continuam a marcar a atualidade em Lisboa.
De acordo com o DN, o homem dirigiu-se à estátua de D. Pedro IV e começou a retirar os cartazes que tinham sido colocados no monumento.
Questionado sobre os motivos da sua atitude, afirmou que não gostava de ver a cidade naquela situação e criticou aquilo que considera ser uma falta de respeito pelos espaços públicos.
O cidadão dirigiu também críticas à comunicação social, defendendo que os jornalistas deveriam denunciar situações que classificou como vandalismo.
“Não reagi agressivamente, fiz uma limpeza”
Apesar de ter retirado os cartazes associados aos protestos, o homem garantiu que não se opõe ao direito de manifestação.
Segundo explicou, compreende as razões que levam os cidadãos a protestar, mas considera que essas ações devem decorrer com respeito pelas autoridades e pelas restantes pessoas.
O homem afirmou ainda que a sua intervenção não teve qualquer intenção agressiva, descrevendo o gesto como uma ação de limpeza do monumento.
Durante as declarações, apelou aos serviços municipais de limpeza para recolherem os materiais que tinha retirado da estátua.
Homem garante que poderá regressar ao Rossio
O cidadão deixou também um aviso sobre a possibilidade de os cartazes voltarem a ser colocados no monumento.
Perante os jornalistas, garantiu que está disposto a regressar ao local para repetir a intervenção, caso considere necessário.
O episódio ficou ainda marcado por uma troca de palavras com um jovem que, segundo o DN, tinha colocado cartazes na estátua durante a manhã.
O homem criticou o comportamento do jovem, fazendo referência à sua nacionalidade e acusando-o de desrespeitar as autoridades portuguesas.
Nas declarações reproduzidas pelo jornal, chegou a afirmar que, caso pretendesse desrespeitar as autoridades, deveria fazê-lo na Colômbia.
Protestos pela habitação continuam a gerar discussão
A situação ocorreu num contexto de mobilização em torno do direito à habitação, tema que tem motivado manifestações e ações de protesto em diferentes pontos de Lisboa.
O episódio no Rossio colocou em evidência posições distintas sobre a utilização dos monumentos e dos espaços públicos durante estas iniciativas.
Por um lado, os movimentos pela habitação procuram chamar a atenção para as dificuldades de acesso a uma casa. Por outro, o homem que retirou os cartazes defendeu que as manifestações devem respeitar o património e as autoridades.
Até ao momento, a informação divulgada pelo Diário de Notícias não indica que tenha existido qualquer intervenção policial relacionada com a retirada dos cartazes.
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