Lisboa surge no topo de uma comparação entre 19 cidades europeias sobre o peso do arrendamento de um apartamento com um quarto no centro no salário líquido médio. De acordo com uma infografia divulgada pela The World in Maps, a renda corresponde a cerca de 72% da remuneração mensal considerada, colocando a capital portuguesa à frente de cidades como Amesterdão, Milão e Barcelona.
A comparação reúne cidades da UE e apresenta os valores como aproximados. Enquanto Lisboa surge no topo da seleção, outras capitais, como Estocolmo, Bruxelas e Viena, apresentam percentagens bastante inferiores. Estes números referem-se à relação entre uma renda e um salário médio, não à despesa efetiva dos agregados familiares.
Lisboa supera Amesterdão, Milão e Barcelona
Segundo a infografia, Amesterdão ocupa o segundo lugar entre as cidades representadas, com uma renda equivalente a 68% do salário líquido médio. Seguem-se Milão, com 66%, e Barcelona, com 65%. Budapeste também apresenta uma percentagem elevada, uma vez que o arrendamento de um T1 no centro corresponde a 60% da remuneração considerada.
Outras cidades apresentam valores inferiores, mas que continuam a representar uma parte significativa dos rendimentos usados na comparação. Madrid surge com 56%, enquanto Munique, Varsóvia e Atenas registam 50%. Roma apresenta 49%, Berlim 48% e Dublin 46%. No caso de Paris e Praga, a proporção indicada é de 44%.

Estocolmo apresenta a percentagem mais baixa da comparação
Na mesma infografia, o custo estimado de arrendar um apartamento com um quarto no centro de Estocolmo corresponde a 25% do salário líquido médio. Trata-se da percentagem mais baixa entre as cidades representadas, ficando 47 pontos percentuais abaixo do valor atribuído a Lisboa.
Bruxelas surge com 28% e Viena com 35%, seguindo-se Copenhaga, com 37%, e Helsínquia, com 38%. O peso do arrendamento depende tanto do valor das rendas como dos rendimentos considerados: uma renda mais elevada pode representar um esforço proporcionalmente menor quando os salários também são superiores.
Estas percentagens não são suficientes para avaliar a facilidade de encontrar casa a esses preços. Para comparar as condições de acesso ao arrendamento seria necessário conhecer também a oferta disponível e os tipos de contrato abrangidos em cada cidade.
O que significa gastar 72% do salário numa renda?
Para compreender o significado desta percentagem, basta considerar um exemplo hipotético: um trabalhador que recebe 1.000 euros líquidos por mês e destina 72% desse rendimento à renda paga 720 euros pela habitação. Fica, assim, com 280 euros para alimentação, transportes, eletricidade, água e restantes despesas. Estes montantes servem apenas para ilustrar a conta, não correspondendo a valores médios apurados para Lisboa.
Os números divulgados também não significam que todos os residentes da capital gastem efetivamente 72% do salário na renda. A comparação relaciona estimativas para apartamentos com um quarto no centro com os salários líquidos médios considerados. A realidade de quem vive numa casa própria, partilha habitação, dispõe de mais de um rendimento no agregado ou mantém um contrato de arrendamento antigo pode ser bastante diferente.
OCDE utiliza outro indicador para avaliar o peso da habitação
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico acompanha as dificuldades de acesso à habitação através da sua base de dados Affordable Housing Database. Entre os indicadores utilizados encontra-se a taxa de sobrecarga dos custos da habitação, que mede a proporção de agregados familiares ou de pessoas em agregados cujos encargos habitacionais ultrapassam 40% do rendimento disponível.
Segundo a ficha metodológica do indicador HC1.2, estes cálculos assentam em dados de inquéritos às famílias e distinguem os encargos com rendas ou crédito de uma definição mais alargada, que inclui despesas como água, energia e manutenção. O limiar de 40% é um critério estatístico.
Importa, por isso, distinguir estes indicadores dos valores divulgados pela The World in Maps. A infografia compara uma renda estimada com um salário líquido médio individual, enquanto a OCDE analisa os custos suportados pelos agregados em relação ao seu rendimento disponível.
Custos da habitação podem dificultar os planos de muitas famílias
Quando uma parte elevada do salário é destinada ao pagamento da habitação, sobra menos dinheiro para poupar e suportar outras despesas. Esta situação pode dificultar decisões como sair de casa dos pais, constituir família ou mudar de emprego, sobretudo quando a nova oportunidade profissional exige uma deslocação para uma cidade onde as rendas são mais elevadas.
No Estudo Económico de Portugal de 2026, a OCDE assinala que os custos da habitação podem levar as pessoas a adiar uma mudança de casa ou a perder oportunidades de emprego mais bem remuneradas, afetando particularmente os jovens.
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