Ir ao médico de família poderá passar a resultar numa recomendação formal para fazer exercício físico, participar numa atividade cultural ou frequentar um workshop. A ULS São João vai lançar, a partir de 1 de outubro, um projeto-piloto de prescrição comunitária em colaboração com as câmaras municipais do Porto, Maia e Valongo.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a iniciativa arranca em três Unidades de Saúde Familiar: a USF Valongo, no concelho de Valongo, a USF Barão Nova Sintra, no Porto, e a USF Alto da Maia, na Maia. Nesta primeira fase, os médicos poderão encaminhar determinados utentes para recursos existentes fora das unidades de saúde.
Nem todos os utentes poderão ser encaminhados
O projeto destina-se a pessoas com mais de 18 anos cuja situação clínica esteja estabilizada e para as quais uma intervenção na comunidade possa funcionar como complemento ao acompanhamento médico. Assim, estas atividades não substituem tratamentos ou cuidados clínicos considerados necessários.
Segundo a mesma fonte, estarão abrangidas áreas como atividade física, alimentação saudável, cultura, prevenção do isolamento social, promoção da saúde mental, prevenção do declínio cognitivo e participação na comunidade.
De pilates a workshops de culinária
Na prática, uma recomendação que até agora poderia surgir apenas como conselho durante uma consulta passará a poder dar origem a um encaminhamento estruturado. Um utente a quem seja aconselhada maior atividade física, por exemplo, poderá ser direcionado para programas disponíveis na sua área de residência.
Entre as possibilidades podem surgir aulas de pilates, workshops de culinária ou oficinas de trabalhos manuais. Uma equipa dedicada ficará responsável por apresentar ao utente as opções disponíveis e ajudá-lo a encontrar uma atividade adequada às suas necessidades.
Prescrição fica registada no processo clínico
Uma das diferenças relativamente a uma simples recomendação verbal estará na forma como o processo é registado. A ULS São João prevê utilizar uma plataforma informática integrada no processo clínico do utente, aproximando este encaminhamento do modelo usado para outras prescrições realizadas nos cuidados de saúde.
Conforme explica a mesma fonte, o sistema terá uma estrutura semelhante à utilizada quando são prescritos medicamentos ou exames. Desta forma, a participação numa atividade comunitária deixa de depender apenas de uma sugestão feita durante a consulta e passa a integrar formalmente o acompanhamento do utente.
Municípios e serviços de saúde trabalham em conjunto
A presidente do conselho de administração da ULS São João, Maria João Baptista, explicou que o projeto parte de uma abordagem em que a promoção da saúde não fica limitada ao que acontece dentro das unidades médicas. A iniciativa procura aproveitar recursos já existentes nos municípios e nas comunidades locais.
O objetivo passa, assim, por articular os serviços de saúde, as autarquias e as respostas disponíveis nos três concelhos envolvidos. Nesta fase inicial, serão testadas intervenções não farmacológicas que possam complementar os tratamentos convencionais e contribuir para áreas como bem-estar, atividade física, participação social e prevenção da doença.
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