A atriz Beatriz Godinho paga cerca de 700 euros mensais por um quarto em Lisboa, num apartamento partilhado com outras sete pessoas. Em entrevista à NiT, Beatriz explicou como a crise da habitação também a atinge e respondeu a quem questiona a sua legitimidade para participar nos protestos no Rossio.
Em 2015, os mesmos 700 euros pagavam um apartamento
Quando se mudou do Porto para Lisboa, em 2015, partilhava com colegas de universidade um T3+1 no Intendente. Segundo contou, a renda total desse apartamento era de 700 euros, aproximadamente o que agora paga apenas pelo quarto.
Na atual casa existem duas casas de banho, mas uma está avariada há vários meses. “Temos oito pessoas para uma casa de banho”, afirmou, apontando consequências para a saúde e para a organização dos compromissos de quem ali vive.
Problemas de saúde interromperam o trabalho
A atriz contou ainda que sofreu duas perdas gestacionais consecutivas. A segunda afetou a sua saúde e impediu-a de trabalhar durante alguns meses, contribuindo para a deterioração das suas condições de vida.
Godinho contesta a ideia de que as dificuldades resultam necessariamente de escolhas individuais ou de falta de esforço. Na entrevista, resumiu a sua frustração: “sacrifício com retorno zero resulta em ressentimento”.
Participação nos protestos acompanha dificuldades pessoais
Embora o trabalho não lhe permita estar sempre presente, tem participado nas concentrações no Rossio quase em dias alternados. Explicou que o reconhecimento público da sua profissão não a protege das dificuldades de acesso à habitação.
Numa intervenção anterior na SIC Notícias já tinha relacionado o seu testemunho com anos de trabalho sem conseguir alcançar a estabilidade desejada.
“Sei o que é trabalhar a tempo inteiro, há 16 anos”, afirmou nessa ocasião. Defendeu também que as dificuldades habitacionais atravessam várias gerações e rejeitou a caracterização dos manifestantes como preguiçosos ou irresponsáveis.
Para a atriz, conciliar o emprego com a presença nas concentrações demonstra a necessidade de ser ouvida: “não dá jeito nenhum ir para o Rossio todos os dias”.
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