O embaixador do Brasil e o cônsul-geral em Lisboa mostraram-se satisfeitos com a organização da votação deste domingo, 4 de outubro, após o alargamento dos espaços disponíveis na Cidade Universitária. O balanço é ainda intermédio, numa jornada eleitoral que reúne mais de 134 mil brasileiros recenseados em Portugal.
Faro conta com perto de nove mil eleitores inscritos, enquanto Lisboa concentra cerca de 79 mil e o Porto mais de 47 mil, segundo a notícia da Lusa. Portugal constitui o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos, e Lisboa é o maior ponto de votação fora do Brasil.
Mais espaço para responder ao crescimento do eleitorado
O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, explicou que o número de inscritos na capital aumentou 74%, exigindo o reforço das condições de acolhimento. Além da Faculdade de Direito, a votação passou a decorrer também na Reitoria e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Segundo o diplomata, foi disponibilizado “mais 300% de espaço para acolher um aumento de 74%” de eleitores. Candeas agradeceu o apoio da PSP e da Câmara de Lisboa na preparação de uma operação que classificou como um “mega-evento”.
Para ilustrar a dimensão do eleitorado, comparou as cerca de 80 mil pessoas inscritas com “um [estádio do] Maracanã lotado em final de campeonato”.
O embaixador destacou, por seu lado, o planeamento e a diversificação dos locais, que considera terem proporcionado maior conforto aos cidadãos.
“O que nós fizemos foi ampliar os espaços para que as pessoas não sofram nas filas”, afirmou, agradecendo à Universidade de Lisboa a cedência gratuita das instalações. O representante diplomático manifestou também confiança numa redução da abstenção, depois de a participação ter rondado os 50% há quatro anos.
Informação aos eleitores para facilitar o acesso
Alessandro Candeas salientou a aposta na comunicação, procurando que cada pessoa chegasse ao local com a informação necessária para encontrar a sua mesa.
“O eleitor entrou aqui já com toda a informação, qual é o seu título e a sessão onde votar, para facilitar. E quem não sabia, havia ‘QR codes’ [espalhados em vários locais] que ajudavam a encontrar”, explicou.
“A ideia é inundar o eleitor de informação para que fique o menos tempo [possível] aqui”, acrescentou.
No momento das declarações, o cônsul estimava que já tivessem votado “perto de 25 mil” pessoas em Lisboa, ressalvando que a contabilidade final só seria feita às 17:00.
Recenseamento fica abaixo da dimensão da comunidade
Os mais de 134 mil brasileiros recenseados em Portugal ficam aquém do meio milhão de cidadãos do Brasil registados no país. O cônsul reconheceu essa diferença e apontou duas explicações: a chegada recente de parte da comunidade e a manutenção do registo eleitoral no Brasil.
“Há muitos cidadãos brasileiros aqui que têm os seus títulos de eleitor registados no Brasil”, afirmou, admitindo a “discrepância entre o número de eleitores efetivos registados e o tamanho da comunidade em Portugal”.
Candeas manifestou a expectativa de que o recenseamento volte a crescer nas próximas eleições.
Eleições gerais mobilizam mais de 158 milhões de brasileiros
Mais de 158 milhões de brasileiros são chamados às urnas neste domingo para escolher o próximo Presidente e eleger governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.
Na corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, procura a reeleição e um quarto mandato. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, disputa também a Presidência, quatro anos depois da derrota do pai frente a Lula.
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