Conseguir pagar as despesas quando deixar de trabalhar depende da pensão que receber e do dinheiro que tiver de lado. Uma análise da OCDE apresenta um resultado favorável para Portugal: para homens com salário médio e carreira completa, o sistema obrigatório deverá assegurar pelo menos 70% do salário bruto, sem necessidade de poupança complementar para atingir aquela referência.
Quanto precisa de poupar em Portugal?
O relatório Pensions Outlook 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, calcula a contribuição voluntária necessária para complementar as pensões obrigatórias.
No perfil analisado, Portugal apresenta uma contribuição adicional estimada de 0%. A pensão projetada já permite alcançar a meta de rendimento definida para trabalhadores com salário médio.
O resultado tem condições: considera trabalho por conta de outrem, uma carreira completa desde os 22 anos até à idade normal de reforma e a aplicação das regras previstas na legislação.
Na comparação europeia apresentada pela Euronews, Portugal acompanha Áustria, Dinamarca, Grécia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Espanha. Nos restantes 22 países europeus abrangidos, o mesmo perfil de trabalhador apresenta uma diferença por financiar.
Há países onde a poupança ultrapassa mil euros mensais
A Euronews aplicou as percentagens calculadas pela OCDE aos salários brutos médios de 2025. A poupança adicional corresponde a cerca de 1.084 euros mensais na Suíça, 974 euros na Irlanda, 617 euros na Alemanha e 238 euros em França.
Os valores acrescem às contribuições obrigatórias e variam com o salário. O modelo pressupõe que os trabalhadores reservam uma percentagem dos rendimentos ao longo da carreira, considerando também o retorno dos investimentos. Não se trata de um montante fixo a guardar todos os meses, independentemente do rendimento.
A pensão projetada pode não chegar para todas as despesas
A referência de 70% diz respeito ao salário bruto. A capacidade para pagar as contas depende das despesas de cada agregado, incluindo habitação, saúde, dívidas e composição familiar.
Como sublinha a OCDE, “não existe um objetivo universal de rendimento na reforma”. Uma pessoa com casa paga pode ter necessidades diferentes das de alguém que continue a suportar uma renda ou um empréstimo.
As projeções também não descrevem as pensões atualmente pagas. Carreiras contributivas mais curtas ou futuras alterações legais podem modificar os resultados apresentados.
Como fazer uma estimativa para a sua situação
O simulador de pensões da Segurança Social permite obter uma estimativa baseada nos salários registados e na carreira contributiva.
A ferramenta disponibiliza uma simulação automática e outra manual, na qual podem ser alterados dados e pressupostos. O valor estimado ajuda a perceber com que rendimento poderá contar e a compará-lo com as despesas previstas.
Os resultados são informativos e dependem das regras e dos dados disponíveis no momento do cálculo.
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