Miguel Félix vive e trabalha no Luxemburgo há 22 anos, mas mantém em Portugal a mulher e os três filhos, que visita, pelo menos, de duas em duas semanas. Apesar de estar profissionalmente realizado na empresa que criou com o pai, o português continua ligado a Viseu e assume que a vontade passa por regressar a casa. “A minha vontade é regressar”, assume.
Segundo o portal de notícias Contacto, aquilo que começou por ser uma solução temporária acabou por se transformar numa forma de vida. Miguel reconhece que a distância implica sacrifícios, sobretudo por não acompanhar diariamente o crescimento dos filhos, mas considera que a escolha lhe permitiu proporcionar à família condições que dificilmente conseguiria manter se tivesse permanecido em Portugal.
Viaja para Portugal pelo menos de 15 em 15 dias
As deslocações entre os dois países fazem parte da rotina familiar há vários anos. Miguel organiza as viagens com bastante antecedência e chega a comprar os bilhetes de avião seis, sete ou oito meses antes, o que lhe permite conciliar a agenda profissional com os momentos que considera mais importantes em Portugal.
“Desde que os meus filhos nasceram, não falhei um único aniversário deles”, conta ao Contacto. Em algumas ocasiões, a viagem durou apenas o tempo necessário para acompanhar um acontecimento específico. “Já aconteceu ir de manhã, passar a noite em Portugal e regressar de madrugada porque, naquela noite, tinham alguma coisa importante.”
“Estamos sempre em contacto”
Quando está no Luxemburgo, as videochamadas ajudam a diminuir a distância. Miguel fala com a mulher e os filhos várias vezes ao longo do dia, procurando manter-se presente mesmo durante as semanas em que não consegue viajar até Viseu. “Falo todos os dias, quatro ou cinco vezes. Por exemplo, à noite, quando estão a jantar, é quase como se estivesse presente.”
Os filhos têm atualmente 9, 13 e 15 anos e cresceram habituados a esta organização familiar. Ainda assim, o empresário admite que a adolescência trouxe novas preocupações. “Necessitavam mais da minha presença diária”, reconhece, explicando que procura acompanhar tanto o percurso escolar como as atividades desportivas dos três.
Mudança para o Luxemburgo aconteceu em 2004
A ligação de Miguel ao Grão-Ducado começou muito antes de criar a própria família. Nasceu em Seia e tinha 12 anos quando os pais e os irmãos mais novos emigraram. Miguel permaneceu em Portugal com os avós, prosseguiu os estudos e acabou por se licenciar em Engenharia e Gestão Industrial na Universidade de Aveiro.
Em 2004 surgiu a oportunidade de fundar, juntamente com o pai, uma empresa de construções metálicas, a Ferinox. Foi nessa altura que decidiu mudar-se para o Luxemburgo. Já mantinha uma relação com a atual mulher, médica, que chegou a passar um ano no país com uma licença sem vencimento, mas acabou por concluir que não queria construir ali a sua vida.
Mulher regressou a Portugal com o primeiro filho
O casal decidiu então seguir uma solução pouco habitual: ela regressaria a Portugal com o primeiro filho, enquanto Miguel continuaria no Luxemburgo a desenvolver o negócio familiar. Mais tarde nasceram outros dois filhos e a divisão entre os dois países manteve-se.
“Foi para dar um futuro melhor aos meus filhos. Em Portugal, dificilmente conseguiria proporcionar a vida que proporciono aos meus filhos estando fora do país”, explica. A decisão não eliminou, contudo, o peso da distância. É sobretudo à noite e nos fins de semana passados sozinho no Luxemburgo que sente mais a ausência da família.
“Toda a gente na vida faz sacrifícios”
A flexibilidade proporcionada pela empresa familiar facilita as viagens regulares. Miguel procura partir para Portugal à sexta-feira ao final do dia e regressar na segunda-feira, organizando reuniões e compromissos para os períodos em que permanece no Luxemburgo. Quando está ausente, conta com o apoio do pai e da irmã na empresa.
Depois de mais de duas décadas a dividir a vida entre os dois países, Miguel encara a situação como um sacrifício feito em função da família. “Toda a gente na vida faz sacrifícios, uns de uma maneira, outros de outra. Este é um dos que eu faço: estar longe da minha família para lhes poder proporcionar um futuro melhor”, afirma à mesma fonte. Apesar da estabilidade profissional conquistada no Luxemburgo, Portugal continua a ser o lugar onde estão a mulher, os filhos e a vida à qual pretende regressar.
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