De acordo com um estudo recente do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) de Itália, publicado na revista científica Remote Sensing, a situação está a agravar-se rapidamente. Mesmo com o sistema de barreiras móveis MoSE, em funcionamento desde 2020, as previsões indicam que as marés futuras poderão ultrapassar os limites da infraestrutura. Falamos-lhe de uma cidade que é dos destinos turísticos mais procurados pelos turistas: Veneza.
Veneza a caminhar (a passos largos) para o fim
Veneza, uma das cidades mais icónicas e um dos destinos turísticos mais visitados da Europa, enfrenta um futuro incerto. Com uma média de 30 milhões de turistas por ano, a cidade italiana está a ser ameaçada por um fenómeno preocupante: a combinação do aumento do nível do mar, das alterações climáticas e da subsidência do solo pode levar a cidade a ficar parcialmente submersa antes de 2150.
Os cientistas alertam para um possível aumento do nível do mar até 60 centímetros até ao final do século XXI. No pior cenário, eventos extremos podem elevar esse valor para 3,47 metros, colocando em risco não só Veneza, mas toda a lagoa e as áreas envolventes.
Não é apenas a subida do nível do mar
A ameaça não é apenas provocada pela subida do nível do mar. O afundamento gradual da cidade, um fenómeno conhecido como subsidência, está a contribuir para agravar a situação. Segundo os especialistas, Veneza está a afundar a um ritmo de até sete milímetros por ano. Este número pode parecer insignificante no dia a dia, mas acumulado ao longo de décadas, terá consequências devastadoras.
Através de modelos digitais e dados de satélite, os investigadores traçaram cenários de risco para três momentos cruciais: 2050, 2100 e 2150. Os resultados mostram que, no pior dos casos, até 64% da superfície da lagoa pode ficar submersa, o que representa mais de 220 km² de território perdido para as águas.
O sistema MoSE, concebido para proteger Veneza das marés altas, foi projetado para conter marés de até três metros, segundo a Executive Digest. No entanto, se o nível médio do mar continuar a subir ao ritmo atual, esta estrutura tornar-se-á insuficiente muito antes do esperado. A barreira natural que separa a lagoa do Mar Adriático poderá ser completamente ultrapassada.
Já há inundações frequentes
A cidade, que é um dos destinos turísticos mais procurados do mundo, já enfrenta inundações frequentes, conhecidas como acqua alta, que afetam a vida dos habitantes e comprometem a preservação dos seus edifícios históricos. Igrejas, palácios e pontes centenárias são constantemente atingidos pela água salgada, acelerando a degradação do património cultural.
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Medidas urgentes necessitam-se
Especialistas alertam que é necessário adotar medidas urgentes para minimizar os impactos da subida do nível do mar. A resposta não pode passar apenas pela construção de infraestruturas de defesa, mas também pela implementação de políticas de adaptação climática e de proteção ambiental.
O turismo será afetado
O turismo, essencial para a economia de Veneza, pode ser afetado de forma significativa. Se as inundações se tornarem mais frequentes e severas, a cidade pode perder o seu encanto para os visitantes, levando a um declínio da atividade económica.
Além disso, os residentes de Veneza já vivem com o receio de que as suas casas possam tornar-se inabitáveis. O custo das reparações frequentes e o aumento da instabilidade estrutural dos edifícios podem levar muitas pessoas a abandonar a cidade.
Os cientistas sugerem que é fundamental apostar num plano abrangente de preservação, que envolva tanto soluções tecnológicas como uma gestão sustentável dos recursos hídricos. A recuperação dos ecossistemas naturais da lagoa e a limitação do impacto humano sobre o território podem ajudar a mitigar os efeitos das alterações climáticas.
Um paraíso vulnerável
Estudos anteriores já alertavam para a vulnerabilidade de Veneza, mas os novos dados mostram que o tempo para agir está a esgotar-se. As decisões tomadas nas próximas décadas serão determinantes para o futuro da cidade.
Se não forem implementadas medidas eficazes, a humanidade poderá assistir à lenta submersão de uma das cidades mais deslumbrantes do mundo. A preservação de Veneza exige um compromisso global para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e travar o avanço das alterações climáticas. A cidade dos canais pode estar a viver os seus últimos anos como a conhecemos. No entanto, ainda há esperança de que, com a ação certa, seja possível garantir que as gerações futuras possam continuar a admirar o seu esplendor.
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