Os portugueses que estão a planear viajar de avião em 2027 poderão encontrar bilhetes consideravelmente mais caros. O alerta foi deixado por Michael O’Leary, presidente executivo da Ryanair, que admite aumentos entre 10% e 20% nas passagens aéreas na Europa, devido à subida dos preços dos combustíveis e ao consequente agravamento dos custos das companhias.
Em entrevista ao canal americano CNBC, o responsável da transportadora irlandesa fez esta previsão numa entrevista concedida na segunda-feira, 2 de novembro. “Estamos a perspetivar 2027, em que temos preços do petróleo muito mais elevados. Creio que isso se vai traduzir em passagens aéreas significativamente mais caras”, afirmou Michael O’Leary, apontando para um cenário particularmente difícil para a aviação europeia.
Bilhetes de avião podem aumentar até 20%
A escalada dos preços está relacionada com o combustível utilizado pelos aviões, conhecido como jet fuel, cujo custo tem aumentado devido à instabilidade no Médio Oriente. Segundo o CEO da Ryanair, o barril deste combustível atingiu os 170 dólares, um valor que representa uma pressão acrescida sobre as contas das transportadoras.
“Acredito que veremos um aumento de 10%, talvez até 20%, nas passagens aéreas em toda a Europa no próximo ano”, declarou Michael O’Leary à mesma estação televisiva. Contudo, trata-se de uma previsão para o mercado europeu e não de um aumento já confirmado para todos os voos. A evolução das tarifas dependerá também da procura, da concorrência e dos custos de cada companhia.
Ryanair regista quebra de 15% nos lucros
Os efeitos da subida dos combustíveis já são visíveis nos resultados financeiros da transportadora irlandesa. Segundo os dados divulgados pela própria Ryanair, o lucro líquido diminuiu 15% no primeiro semestre do exercício fiscal, entre abril e setembro de 2026, passando de 2,54 mil milhões para 2,15 mil milhões de euros.
Esta redução aconteceu apesar de a companhia ter transportado mais passageiros. Durante os seis meses analisados, o número de viajantes aumentou 6%, para 125,8 milhões, enquanto o preço médio das passagens diminuiu 4%. No entanto, os custos operacionais cresceram 10%, refletindo, entre outros fatores, o aumento do preço do combustível que a companhia não tinha contratado antecipadamente.
Guerra no Médio Oriente continua a pressionar o setor
A situação no Médio Oriente está entre as principais preocupações das companhias aéreas, uma vez que o conflito tem provocado perturbações nos mercados energéticos e restrições à utilização de determinados espaços aéreos. Estas circunstâncias podem obrigar as transportadoras a suportar despesas mais elevadas, com consequências para o preço final das viagens.
Segundo Michael O’Leary, os passageiros têm estado parcialmente protegidos da subida dos preços graças aos contratos de combustível celebrados antecipadamente pelas companhias. Porém, essa proteção deverá diminuir em 2027. O responsável alertou que se trata de “um aumento de custos muito significativo que todos enfrentaremos no próximo ano”, numa altura em que ainda não existe uma solução para o conflito.
O que pode mudar para quem pretende viajar em 2027?
A Ryanair tem cerca de 80% das necessidades de combustível cobertas por contratos com preços próximos dos 67 dólares por barril até março de 2027. Contudo, no exercício fiscal seguinte, a cobertura é substancialmente inferior, o que deixa a transportadora mais exposta às oscilações dos mercados internacionais. A empresa estima que a sua fatura anual com combustíveis possa aumentar aproximadamente dois mil milhões de euros.
Para os portugueses que pretendem viajar em 2027, o aviso significa que poderão encontrar tarifas superiores às atualmente praticadas, sobretudo se os combustíveis continuarem caros. Apesar disso, a previsão de Michael O’Leary não significa que todos os bilhetes da Ryanair, ou das restantes companhias europeias, vão necessariamente aumentar 20%. O preço final continuará a depender de fatores como o destino, a antecedência da reserva e a disponibilidade de lugares.















