Reforçar a ligação entre a Assembleia Municipal de Juventude e a Assembleia Municipal de Lagos é uma das prioridades de Paula Couto para o segundo ano de mandato.
Em entrevista ao POSTAL, a presidente faz um balanço “muito positivo”, destaca a sessão extraordinária dedicada ao Estado do Município e defende uma melhor divulgação dos trabalhos para aproximar os cidadãos da vida autárquica.
Que balanço faz do primeiro ano de mandato e que deliberação ou iniciativa da Assembleia Municipal considera mais relevante para o concelho?
Faço um balanço muito positivo deste primeiro ano de mandato, marcado por um trabalho intenso, responsável e participativo. A Assembleia Municipal tem procurado afirmar-se como um espaço de debate democrático, onde as diferentes forças políticas podem apresentar propostas, discutir os problemas do concelho e contribuir para o seu desenvolvimento.
Destaco a Assembleia Municipal extraordinária dedicada ao Estado do Município, pela oportunidade de avaliar o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal e pelas Juntas de Freguesia e conhecer os projetos previstos para o futuro. Mais do que uma deliberação isolada, valorizo o contributo coletivo da Assembleia para um concelho mais desenvolvido, inclusivo e atento às necessidades dos lacobrigenses.
Fiscalização, diálogo e respeito pela diversidade política
De que forma a Assembleia Municipal exerceu a fiscalização da atividade da Câmara Municipal e quais foram os principais desafios ao diálogo entre as diferentes forças políticas?
A Assembleia Municipal tem exercido as suas competências de acompanhamento e fiscalização através da apreciação de documentos, do debate das propostas submetidas à deliberação e dos pedidos de esclarecimento dos deputados municipais. As sessões têm permitido discutir questões essenciais, como a habitação, a educação, a saúde, a mobilidade, o ambiente e os investimentos municipais.
O principal desafio tem sido conciliar a diversidade de posições políticas com um debate construtivo e respeitador. A divergência faz parte da democracia e o confronto de ideias é saudável, desde que prevaleçam o respeito institucional e o interesse coletivo. Enquanto Presidente, tenho procurado garantir a igualdade de tratamento de todas as forças políticas e promover o diálogo e o pluralismo.

Dar voz aos jovens e aproximar os cidadãos
Como avalia a participação dos cidadãos nos trabalhos da Assembleia Municipal e que medida concreta pretende adotar para reforçar essa participação no segundo ano de mandato?
A participação dos cidadãos é fundamental para uma democracia local mais forte. Embora exista interesse pelos assuntos municipais, considero que ainda temos um caminho a percorrer para aproximar os munícipes dos trabalhos da Assembleia Municipal e incentivar uma participação mais ativa.
Neste contexto, atribuo particular importância à Assembleia Municipal de Juventude, enquanto espaço privilegiado de educação para a cidadania, de debate e de envolvimento dos jovens na vida democrática do concelho. Acredito que é essencial dar voz às novas gerações, escutar as suas preocupações e valorizar as suas propostas.
No segundo ano de mandato, pretendo reforçar esta iniciativa, promovendo uma maior aproximação entre a Assembleia Municipal de Juventude e a Assembleia Municipal, bem como melhorar a divulgação das sessões e dos assuntos em discussão.
Quero contribuir para uma Assembleia cada vez mais aberta e próxima dos cidadãos, porque acredito que a democracia se constrói todos os dias, com participação, diálogo e sentido de responsabilidade coletiva.

Da engenharia e do ensino à presidência da Assembleia Municipal
Maria Paula Dias da Silva Couto nasceu no Porto, em 20 de março de 1960, e reside em Lagos desde 1985.
Concluiu, em 1981, o curso de Engenharia de Energia e Sistemas de Potência no Instituto Militar dos Pupilos do Exército. É licenciada em Educação, na área de Administração Escolar e Educacional, pelo Instituto Superior de Ciências Educativas, desde 2003, e pós-graduada em Gestão e Administração Escolar pela Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, desde 2004.
Entre 1982 e 1985, trabalhou como engenheira de projeto na Siemens, na área dos transformadores de potência. Iniciou a carreira docente em 1985, na Escola Secundária Júlio Dantas, em Lagos, passando, no ano seguinte, para a Escola Secundária Gil Eanes.
Professora do grupo de Eletrotecnia, exerce funções de gestão na Escola Secundária Gil Eanes há mais de 30 anos e é atualmente diretora do Agrupamento de Escolas Gil Eanes, em Lagos.
Em 1988, foi fundadora da Cooperativa de Habitação 30 de Junho, criada para contribuir para a resposta à carência habitacional que afetava os professores colocados no concelho.
No percurso autárquico, foi vereadora da Câmara Municipal de Lagos entre 2002 e 2005 e deputada na Assembleia Municipal entre 2006 e 2025. Foi eleita presidente da Assembleia Municipal de Lagos para o mandato de 2025-2029.
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