Perto de completar um ano na presidência da Assembleia Municipal de Faro, Macário Correia destaca a defesa do papel da cidade no Algarve, a criação da Assembleia Municipal Jovem e a transmissão das sessões em língua gestual. Nesta entrevista ao POSTAL, sublinha ainda a importância do diálogo entre forças políticas e da participação dos cidadãos.
A defesa da capitalidade de Faro
Que balanço faz do primeiro ano de mandato e que deliberação ou iniciativa da Assembleia Municipal considera mais relevante para o concelho?
No primeiro ano de mandato, a iniciativa da Assembleia Municipal que foi politicamente mais relevante foi a afirmação das forças políticas de Faro pela capitalidade do Algarve. Aprovou-se um documento nesse sentido, o qual marca uma baliza de pensamento transversal quanto ao papel de Faro no contexto regional. Importa afirmar as funções da cidade e dos seus serviços na região. Durante décadas, Faro sofreu uma prática de transferência de entidades regionais do Estado para fora do concelho e estava mais uma em marcha: o Comando Distrital da GNR, o que se evitou. Para além da Universidade, do Aeroporto e de outros serviços e funções, Faro deve afirmar sempre a sua função relevante no contexto do Algarve.
Todavia, devo também salientar a criação da Assembleia Municipal Jovem e a transmissão das sessões em língua gestual como novidades deste mandato.
Diálogo político e participação dos cidadãos
De que forma a Assembleia Municipal exerceu a fiscalização da atividade da Câmara Municipal e quais foram os principais desafios ao diálogo entre as diferentes forças políticas?
Em Faro nenhum órgão tem maioria absoluta. E a Câmara e a Assembleia têm presidentes de diferentes partidos políticos, tal como em Loulé, Vila Real de Santo António.
As forças políticas têm dialogado razoavelmente e de modo construtivo. Nisso, ajuda o facto de o Presidente da Câmara e o Presidente da Assembleia terem relações de trabalho, de respeito e de consideração há décadas, e de cada qual saber o seu papel e saber colocar Faro acima de eventuais conflitos partidários desnecessários. Esse entendimento institucional é essencial para o desempenho das funções de cada órgão.
Como avalia a participação dos cidadãos nos trabalhos da Assembleia Municipal e que medida concreta pretende adotar para reforçar essa participação no segundo ano de mandato?
Os cidadãos participam regularmente nos trabalhos. Nunca ficou sem falar com ninguém que pretendesse colocar o seu problema. Os assuntos são encaminhados para a devida resposta, por vezes na ocasião, noutras vezes dias depois.

Da agronomia ao Governo e às autarquias
José Macário Custódio Correia, 69 anos, é natural de Santo Estêvão, no concelho de Tavira. É engenheiro agrónomo e arquiteto paisagista pelo Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa (1982), e mestre em Economia Rural pelo Instituto Agronómico Mediterrânico de Montpellier, em França (1984).
Foi secretário de Estado do Ambiente e dos Recursos Naturais, entre 1987 e 1990, e do Ambiente e Defesa do Consumidor, entre 1990 e 1991. Exerceu funções de deputado à Assembleia da República, de 1991 a 1998, e de vereador da Câmara Municipal de Lisboa, de 1993 a 1997.
Presidiu às câmaras municipais de Tavira, entre 1998 e 2009, e de Faro, entre 2009 e 2013. Liderou também o Conselho Executivo da Comunidade Intermunicipal do Algarve, de 2004 a 2013, e foi membro do Comité das Regiões da União Europeia, de 1998 a 2013.
Desde 2025, preside à Assembleia Municipal de Faro. É também presidente da ADP-AQUA — Gestão Ambiental de Recursos Hídricos e da Direção da Associação de Beneficiários do Plano de Rega do Sotavento Algarvio. Gere a empresa agrícola Agribanora desde 1992 e preside à Assembleia Geral da Cooperativa de Citricultores do Algarve (CACIAL) e à Mesa da Assembleia Geral da Federação da Agricultura do Algarve.
Recebeu as medalhas de ouro das cidades de Tavira, em 2010, e de Faro, em 2023.
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