Uma comunidade de energia renovável na ilha da Culatra deverá aproveitar os excedentes de eletricidade solar para produzir e armazenar hidrogénio, que permitirá gerar novamente eletricidade quando a procura aumentar e a produção solar diminuir. A solução integra o projeto internacional H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora (UÉ).
Iniciado em 2024, com duração prevista até 2030 e um orçamento global de nove milhões de euros, o projeto reúne 29 parceiros de sete países, entre universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas.
Num comunicado divulgado em 13 de outubro e citado pela Lusa, a universidade explicou que a iniciativa pretende testar aplicações concretas no Algarve e no Alentejo, abrangendo a produção, o transporte, o armazenamento e a utilização de hidrogénio renovável.
Culatra combina armazenamento com redes inteligentes
Na Culatra, a demonstração prevê integrar o armazenamento de energia sob a forma de hidrogénio com redes inteligentes. O sistema utilizará a eletricidade excedente nas horas de maior produção solar, guardando esse recurso para responder a períodos de menor disponibilidade.
A vertente algarvia complementa as intervenções previstas no Alentejo, onde o projeto procura criar um “vale do hidrogénio”, aproveitando infraestruturas existentes e novos investimentos.
O objetivo é “passar da investigação e planeamento para a demonstração de aplicações concretas, avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes, edifícios e sistemas energéticos locais”, refere a UÉ.
Sines terá unidade de produção com 15 megawatts
Em Sines, no distrito de Setúbal, está projetada uma unidade de eletrolisadores de 15 megawatts para produzir hidrogénio renovável, também conhecido como hidrogénio verde.
“O hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injetado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo”, explicou a universidade.
No conjunto, o H2tALENT prevê produzir mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a aplicações na indústria, na mobilidade e nos edifícios.
Frotas municipais e piscina entre as aplicações previstas
Em Alandroal, no distrito de Évora, está previsto apoio à conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio.
Na cidade de Évora, o foco será o aquecimento de edifícios. Entre as demonstrações programadas encontra-se a utilização de um misturador de hidrogénio e gás natural na piscina municipal.
Hugo Gonçalves Silva, professor de Física da UÉ e coordenador do H2tALENT, salientou que a iniciativa pretende “ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”.
O projeto, coordenado pela Universidade de Évora, é financiado pelo programa Horizon da Comissão Europeia, através da Clean Hydrogen Joint-Undertaking.
Leia também: Nem Monchique nem Tavira: esta localidade do Algarve guarda vestígios de um oceano que desapareceu há milhões de anos















