O Algarve e Lisboa e Vale do Tejo são as regiões onde as reservas de sangue mais preocupam a Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES), devido aos consumos elevados e à menor capacidade de recolha.
O alerta foi feito pelo presidente da federação, Alberto Mota, em declarações à Lusa esta quarta-feira. O responsável destacou a situação do Hospital Distrital de Santarém, que considera estar próximo de ter de cancelar intervenções cirúrgicas e tratamentos por falta de reservas.
“Há hospitais, inclusive o de Santarém, com uma falta de sangue muito grande, mesmo no limiar de já estar a pensar em cancelar intervenções cirúrgicas que possam estar marcadas para os próximos dias”, afirmou.
Hospital admite ajustes pontuais na atividade programada
Contactada pela Lusa, a Unidade Local de Saúde da Lezíria confirmou atravessar um período de maior pressão sobre as reservas, num contexto que descreveu como “transversal à rede hospitalar nacional”.
A instituição assegurou estar a gerir rigorosamente os componentes sanguíneos disponíveis para garantir resposta aos casos prioritários e urgentes. Admitiu, contudo, que, “pontualmente”, poderá ser necessário ajustar a atividade transfusional programada.
A ULS recordou que integra a Rede Estratégica Nacional de Sangue e mantém articulação permanente com outros hospitais “para assegurar a resposta às necessidades assistenciais”.
Deixou também um apelo aos cidadãos elegíveis para a dádiva de sangue, para que contribuam para a manutenção das reservas nacionais.
Dádivas diminuíram em 2024 e 2025
Segundo Alberto Mota, a redução das reservas não é pontual e acompanha uma quebra continuada das dádivas.
“O relatório da atividade transfusional e do sistema de hemovigilância, divulgado este ano, deu conta de que tivemos menos dádivas em 2025 do que em 2024. Já em 2024 tínhamos descido e em 2025 voltámos a descer. Os números que temos das associações indicam que em 2026 a situação se está a manter”, declarou.
A federação estima que o consumo nacional ronde as 1.000 a 1.100 unidades de sangue por dia. Nos últimos tempos, admite, nem sempre tem sido possível recolher volumes suficientes para responder às necessidades.
“Todos sabemos que sem sangue não se podem fazer intervenções cirúrgicas e há muitos doentes que são tratados diariamente com componentes sanguíneos”, sublinhou.
O presidente da FEPODABES atribuiu a diminuição das dádivas a vários fatores, incluindo o cancelamento de recolhas por falta de profissionais de saúde, a escassez de unidades hospitalares autorizadas a efetuar colheitas e o fim de alguns incentivos aos dadores.
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