Pagar com cartão durante uma viagem ao estrangeiro pode parecer uma operação simples, mas existe uma pergunta que surge em determinados terminais de pagamento e que pode tornar as compras mais caras. Quando o equipamento apresenta a possibilidade de escolher entre euros e a moeda do país visitado, a opção aparentemente mais conveniente nem sempre é a mais económica.
A situação pode acontecer em países como o Reino Unido, a Polónia ou a Dinamarca, onde a moeda utilizada não é o euro. De acordo com o portal Your Europe, da Comissão Europeia, escolher pagar na moeda nacional do titular do cartão pode implicar encargos adicionais, uma vez que o estabelecimento ou o operador do terminal aplica uma conversão cambial que frequentemente torna a operação mais dispendiosa.
Por que é que pagar em euros pode sair mais caro?
O procedimento é conhecido como conversão dinâmica de moeda, também designado pela sigla DCC, e permite que o consumidor veja imediatamente o valor da compra convertido para a moeda da sua conta bancária. Por exemplo, um português que esteja na Polónia pode encontrar um terminal que lhe pergunte se pretende pagar em euros ou em zlótis, a moeda polaca.
Segundo a mesma fonte, ao escolher euros, o consumidor aceita a taxa de câmbio apresentada pelo serviço de conversão associado ao terminal. Esta taxa pode incluir uma margem adicional que torna a compra mais cara do que seria se o pagamento fosse processado na moeda local e convertido posteriormente pelo banco ou pela entidade emissora do cartão.
Qual é a opção normalmente mais económica?
A Comissão Europeia explica que pagar na moeda local é frequentemente a alternativa mais barata, embora o valor final dependa das condições aplicadas pelo banco. Ao escolher esta modalidade, o consumidor permite que a conversão seja realizada posteriormente pela entidade responsável pelo cartão, segundo as taxas e comissões previstas no respetivo contrato.
Contudo, esta escolha não garante que a operação fique isenta de encargos. O banco pode cobrar comissões por transações internacionais ou pela conversão de moeda, pelo que é importante consultar antecipadamente o preçário. A principal diferença está na entidade responsável pela conversão e na taxa aplicada, sendo aconselhável comparar os custos sempre que existam informações disponíveis.
Comerciantes são obrigados a informar sobre os custos?
Nos pagamentos abrangidos pelas regras europeias, os comerciantes e operadores que oferecem a conversão dinâmica de moeda devem informar os consumidores sobre os encargos antes de a operação ser concluída. Segundo o portal Your Europe, estes custos devem ser apresentados através de uma percentagem de acréscimo relativamente às taxas de câmbio de referência mais recentes do Banco Central Europeu.
Esta obrigação encontra-se prevista no artigo 4.º do Regulamento (UE) 2021/1230, relativo aos pagamentos transfronteiriços na UE. A legislação determina ainda que, quando é oferecida a conversão no terminal, devem ser apresentados os montantes nas duas moedas. Estas regras aplicam-se às operações abrangidas pelo regulamento europeu, não devendo ser consideradas automaticamente válidas em todos os países fora da União Europeia.
Levantamentos em caixas automáticos também exigem atenção
O mesmo problema pode surgir quando um viajante pretende levantar dinheiro num caixa automático fora da zona euro. Alguns equipamentos oferecem a possibilidade de realizar imediatamente a conversão para euros, apresentando o montante que será debitado na conta. No entanto, essa opção pode incluir uma taxa de câmbio menos favorável do que a utilizada pelo banco do titular do cartão.
Os levantamentos podem ainda envolver outros custos, nomeadamente comissões cobradas pelo proprietário do equipamento e encargos associados a operações em moeda estrangeira. Por isso, antes de confirmar um levantamento, importa verificar não apenas a moeda selecionada, mas também os eventuais custos apresentados no ecrã.
Banco de Portugal recomenda atenção às taxas de câmbio
O Banco de Portugal esclarece que as instituições autorizadas a realizar operações cambiais podem fixar livremente as respetivas taxas, devendo divulgar os valores aplicados e as comissões cobradas. Acrescenta que, mesmo quando uma entidade anuncia uma operação sem comissões, os custos podem estar incorporados na própria taxa de câmbio utilizada.
Assim, quem vai viajar para um país que não utiliza o euro deve consultar previamente as condições do seu cartão e verificar os encargos associados a pagamentos noutras moedas. Quando o terminal apresentar duas opções, pagar na moeda local é frequentemente mais vantajoso, mas a decisão deve ter em conta a taxa de conversão oferecida e os custos do banco, evitando que uma compra aparentemente simples acabe por representar uma despesa superior à esperada.
















