A diferença no preço dos combustíveis entre Portugal e Espanha está a levar automobilistas portugueses que vivem junto à fronteira a atravessar para o país vizinho na hora de abastecer. Há condutores que dizem conseguir poupar dezenas de cêntimos por litro e, do lado português, alguns postos já sentem diretamente a perda de clientes.
Escreve a SIC Notícias que um dos exemplos encontra-se em Caminha, onde um posto de combustível relata uma quebra nas vendas que chega aos 90%. A situação é atribuída à diferença de preços praticados entre os dois países, que torna a deslocação a Espanha financeiramente vantajosa para alguns consumidores.
Condutor diz poupar cerca de 30 cêntimos por litro
A decisão começa muitas vezes numa conta simples feita antes de abastecer. Um automobilista ouvido pela mesma fonte explica que continua a atravessar a fronteira porque considera significativa a diferença que encontra na bomba. “Venho cá e vale sempre a pena. Poupo cerca de 30 cêntimos por litro”, afirma.
O valor referido corresponde à experiência daquele condutor e pode variar consoante o combustível, o posto escolhido e o momento do abastecimento. Ainda assim, numa quantidade elevada de litros, uma diferença desta dimensão pode representar vários euros poupados numa única passagem pela bomba.
Posto em Caminha fala numa quebra de 90%
Enquanto alguns automobilistas procuram o preço mais baixo em Espanha, os efeitos começam a ser sentidos nos negócios portugueses situados próximo da fronteira. Em Caminha, um funcionário ouvido pela SIC Notícias resume a dificuldade enfrentada pelo estabelecimento: “Não conseguimos competir com Espanha”.
Segundo a reportagem, a redução da procura naquele posto chega aos 90%. Uma quebra desta dimensão afeta diretamente a faturação das empresas, sobretudo em territórios onde a proximidade da fronteira permite aos consumidores comparar preços e deslocar-se rapidamente entre os dois países.
“Ou o Estado faz alguma coisa ou as empresas fecham”
É perante esta diminuição das vendas que um responsável de um posto português deixa um aviso sobre a continuidade do negócio. “Ou o Estado faz alguma coisa ou as empresas fecham”, afirma, defendendo uma intervenção perante a diferença de preços existente entre os dois lados da fronteira.
Para um automobilista que viva longe de Espanha, uma deslocação apenas para abastecer poderá não compensar o combustível e o tempo gastos na viagem. A realidade é diferente para quem reside ou circula habitualmente em concelhos próximos da fronteira e consegue incorporar a passagem pelo país vizinho nas deslocações do dia a dia. É precisamente nesses territórios que os postos portugueses enfrentam maior pressão.
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