Instalar painéis solares pode reduzir significativamente a fatura da eletricidade, mas colocar o maior número possível no telhado nem sempre é a melhor opção. O investimento só tende a ser realmente vantajoso quando a dimensão do sistema é adaptada ao consumo da família e, sobretudo, às horas em que a eletricidade é utilizada.
O autoconsumo permite aos consumidores produzirem energia renovável para satisfazerem as suas próprias necessidades, como explica a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). A energia que não é consumida no momento da produção pode tornar-se excedente e, mediante as condições aplicáveis, ser vendida à rede.
Quanto mais painéis melhor? Nem sempre
Um dos erros mais comuns passa por instalar um sistema sobredimensionado. O número e a potência dos painéis devem ter em conta fatores como o consumo anual da habitação, as horas em que existe maior utilização de eletricidade, a orientação e inclinação do telhado e a área disponível.
Se forem instalados demasiados painéis, uma parte importante da energia pode ser produzida em momentos em que ninguém está em casa para a utilizar. Nesse cenário, o consumidor faz um investimento inicial superior ao necessário e pode acabar por precisar de mais anos para recuperar o dinheiro aplicado.
Poupar depende muito da hora a que utiliza eletricidade
A energia solar utilizada diretamente em casa é particularmente importante porque evita que essa eletricidade tenha de ser comprada à rede. Por isso, uma família que esteja em casa durante o dia, trabalhe em teletrabalho ou consiga programar máquinas e outros equipamentos para funcionarem durante as horas de maior produção solar tende a aproveitar melhor os painéis.
Já uma pessoa que passe praticamente todo o dia fora de casa e concentre o consumo de eletricidade à noite poderá apresentar uma taxa de autoconsumo bastante inferior. Antes de avançar, há três perguntas essenciais: quanto consome, a que horas consome e que parte desse consumo pode passar para as horas de sol?
Família pode poupar cerca de 300 euros por ano neste cenário
Os valores variam bastante de casa para casa. Num exemplo de uma família composta por um casal, com um dos elementos em regime híbrido de teletrabalho e um filho, a viver na região Centro e com uma fatura mensal próxima dos 65 euros, um sistema corretamente dimensionado poderá permitir uma poupança próxima dos 300 euros por ano. Nesse cenário, o período necessário para recuperar o investimento poderá rondar os seis anos e meio.
Poupança pode ultrapassar os 800 euros por ano
O impacto torna-se mais expressivo em casas com consumos superiores e uma utilização significativa de eletricidade durante o dia. Num segundo exemplo, correspondente a um casal em trabalho remoto, com dois filhos, a viver no Sul do país e com uma fatura próxima dos 140 euros mensais, a poupança anual poderá ultrapassar os 800 euros.
Neste caso, o investimento poderia ser recuperado em cerca de quatro anos, desde que o sistema esteja corretamente ajustado às necessidades da habitação. Estes valores são apenas exemplos e não significam que todas as famílias consigam obter a mesma poupança.
Há casas onde os painéis podem demorar muito mais a compensar
A instalação pode ser menos vantajosa quando o consumo de eletricidade é reduzido ou está concentrado sobretudo durante a noite. O mesmo acontece quando existem condições desfavoráveis no imóvel, como sombras provocadas por árvores ou edifícios, uma orientação pouco favorável do telhado ou uma área reduzida para instalação.
Nestes casos, a produção poderá ser inferior e o período necessário para recuperar o investimento torna-se mais longo. Também é importante considerar alterações previstas para os anos seguintes, como a compra de um carro elétrico, a instalação de ar condicionado ou de uma bomba de calor, uma vez que todas podem aumentar o consumo da habitação.
Painéis solares permitem baixar a potência contratada?
Não necessariamente. A ERSE alerta que a existência de painéis fotovoltaicos, por si só, não permite normalmente reduzir a potência contratada, sobretudo porque o pico de consumo doméstico acontece frequentemente ao final do dia, quando a produção solar já é reduzida ou inexistente.
Sem sistemas de armazenamento, como baterias, a casa continuará a depender da rede nesses períodos. Assim, antes de investir, o mais importante não é perceber quantos painéis cabem no telhado, mas quantos fazem efetivamente sentido para o perfil de consumo da família.















