O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou este sábado, 24 de outubro, em Vilamoura, que o Governo encara os protestos pela habitação “com toda a tranquilidade”. O governante sublinhou que a maioria dos manifestantes é pacífica e rejeitou a existência de um confronto com o movimento.
“Não há de modo nenhum um braço de ferro”, declarou à CNN, à margem da cerimónia de aniversário da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR no Algarve, em declarações citadas pela Lusa.
Ministro reconhece legitimidade dos protestos
Luís Neves frisou que “a maior parte dos manifestantes são pessoas absolutamente pacíficas” e que “o direito à manifestação é absolutamente legítimo”.
“O que leva as pessoas a manifestarem-se é um motivo absolutamente legítimo, muito humano. Estamos a falar de habitação”, afirmou.
O ministro assegurou que o Governo está “muito focado em encontrar todos os instrumentos” e “soluções que possam mitigar” o problema. Acrescentou que os promotores dos protestos estão “em articulação com a Polícia de Segurança Pública”.
Sobre as manifestações previstas para a tarde deste sábado, manifestou a expectativa de que sejam “ordeiras e pacíficas”, como “regularmente acontece” em Portugal.
Declarações surgem após aviso sobre o fim das acampadas
A posição foi expressa numa altura em que continuam a ser convocadas manifestações e assembleias populares em várias cidades, por movimentos cívicos que exigem respostas à crise da habitação.
Durante a semana, depois da polícia ter removido as tendas do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, Luís Neves afirmou que a PSP passaria a atuar “por antecipação” nos protestos e avisou que as “acampadas e acampamentos terminaram”.
Em 15 de outubro, o movimento que acampava no Porto denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada. Segundo a denúncia, ficaram feridos 39 participantes, dois dos quais em estado grave, e um polícia.
Em Lisboa, as autoridades retiraram dezenas de tendas do Rossio na manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz em 27 de outubro.
Movimentos exigem mudanças nas rendas e alternativas aos despejos
Duas semanas depois do início dos protestos no Porto, os participantes mantêm a promessa de continuar nas ruas até que o Governo deixe cair a nova lei das rendas e adote outras medidas para responder à crise habitacional.
Entre as reivindicações estão o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, a proibição da compra de habitação por fundos imobiliários e o aumento da oferta pública de casas.
Os movimentos defendem também a aplicação de tetos às rendas e a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
Leia também: Preço das casas dispara em Portugal e sobe quatro vezes mais do que os salários: estes são os concelhos mais caros















