O homem mais rico do mundo acredita que o dinheiro poderá deixar de ter importância nas próximas décadas. Elon Musk, cuja fortuna está atualmente avaliada em cerca de 921 mil milhões de dólares, defende que os avanços na inteligência artificial e na robótica poderão transformar completamente a forma como as pessoas trabalham, recebem rendimentos e vivem.
Segundo o Business Insider, o empresário partilhou esta visão em conversas com Walter Isaacson, autor da sua biografia, defendendo que a evolução tecnológica poderá tornar a moeda convencional praticamente desnecessária.
As declarações foram recordadas por Isaacson durante uma participação no podcast The Builders, onde abordou algumas das previsões mais ambiciosas do fundador da Tesla e da SpaceX.
Elon Musk acredita que o dinheiro poderá deixar de existir como o conhecemos
Para o empresário norte-americano, o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial cada vez mais avançados, combinado com a utilização generalizada de robôs, poderá criar uma economia radicalmente diferente da atual.
Musk acredita que estas tecnologias serão capazes de produzir bens e prestar serviços de forma tão eficiente que a escassez de muitos produtos poderá diminuir significativamente.
Nesse cenário, o dinheiro deixaria de desempenhar o papel central que atualmente ocupa na sociedade, podendo o valor económico passar a estar mais diretamente associado à disponibilidade de energia e à capacidade de produção.
Durante as conversas com Walter Isaacson, Musk terá defendido que chegará um momento em que os robôs e a inteligência artificial conseguirão realizar praticamente todas as tarefas humanas com maior eficiência.
Trabalhar poderá tornar-se uma escolha e não uma obrigação
Uma das previsões mais surpreendentes de Elon Musk está relacionada com o futuro do emprego.
Numa publicação partilhada em julho na rede social X, o empresário afirmou que os avanços tecnológicos poderão permitir que as pessoas deixem de depender de um emprego para garantir o seu sustento.
A ideia assenta na possibilidade de os robôs assumirem grande parte das tarefas produtivas, criando bens e serviços em quantidades suficientes para satisfazer as necessidades da população.
Segundo Musk, esta transformação poderá permitir a criação de um sistema de rendimento alto universal, através do qual os cidadãos receberiam recursos suficientes para viver confortavelmente.
Ao contrário do rendimento básico universal, normalmente associado a um pagamento destinado a assegurar necessidades essenciais, a proposta do empresário pressupõe um nível de abundância económica muito superior.
Poupar para a reforma poderá deixar de fazer sentido
As previsões de Musk não se limitam ao mercado de trabalho. O empresário também já sugeriu que poupar dinheiro para a reforma poderá tornar-se desnecessário nos próximos 20 anos.
Na sua perspetiva, os ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial e pela robótica poderão transformar os sistemas económicos e sociais, reduzindo a necessidade de acumular poupanças ao longo da vida profissional.
Contudo, estas afirmações representam uma visão especulativa sobre o futuro e não existem garantias de que a evolução tecnológica venha a produzir os resultados descritos.
A concretização deste cenário dependeria também de decisões políticas e económicas relacionadas com a distribuição da riqueza gerada pelas novas tecnologias.
Nem todos acreditam nas previsões do homem mais rico do mundo
A visão otimista de Elon Musk está longe de reunir consenso, especialmente entre especialistas e investidores preocupados com as consequências da automatização.
Michael Burry, investidor conhecido por ter antecipado a crise financeira de 2008, reagiu às previsões do empresário com uma perspetiva bastante diferente.
Segundo o Business Insider, Burry considera que a substituição de trabalhadores por sistemas de inteligência artificial poderá provocar fortes tensões sociais antes de qualquer cenário de prosperidade generalizada.
O investidor chegou mesmo a antecipar a possibilidade de uma revolução, argumentando que a perda de empregos poderá gerar instabilidade à medida que as empresas substituem trabalhadores por máquinas.
Inteligência artificial poderá transformar a economia nas próximas décadas
Apesar das divergências, a possibilidade de a inteligência artificial alterar profundamente o mercado de trabalho é uma questão cada vez mais discutida.
A automatização de tarefas, o desenvolvimento de robôs humanoides e a utilização de sistemas inteligentes em diferentes setores poderão modificar a forma como as empresas produzem bens e prestam serviços.
No entanto, o aumento da produtividade não significa necessariamente que todos os cidadãos venham a beneficiar de forma igual dos ganhos económicos.
Para já, as previsões de Elon Musk continuam a ser uma visão de longo prazo, sem garantias quanto à sua concretização ou ao calendário apresentado.
Ainda assim, a ideia de um mundo onde trabalhar deixa de ser obrigatório e o dinheiro perde importância mostra até que ponto o empresário acredita no potencial transformador da inteligência artificial.















