Uma assembleia popular realizada na Praça do Município de Portimão decidiu criar grupos de trabalho para preparar reivindicações e estudar respostas à crise da habitação no barlavento algarvio. A decisão surgiu numa acampada de protesto que reuniu cerca de uma centena de pessoas no sábado, 7 de novembro.
Em declarações à Lusa, a porta-voz da acampada explicou que um dos grupos terá a tarefa de “construir um texto” com as reivindicações dos manifestantes, a apresentar à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
“Decidimos como é que nos íamos organizar a nível das reivindicações e como é que queremos agir no território relativamente à crise da habitação”, afirmou.
Casas devolutas e respostas municipais vão ser analisadas
Outro grupo ficará responsável pelo “mapeamento da situação” habitacional no barlavento. O objetivo é conhecer o número de casas devolutas e identificar medidas que possam ser adotadas pelas câmaras municipais.
A organização pretende também estudar formas de recuperar modelos de participação e gestão coletiva.
“Outro grupo de trabalho vai ficar mais focado em pensar como é que podemos reativar modelos de autogestão, como por exemplo o SAAL e projetos desse género aqui no Algarve”, adiantou a porta-voz.
As questões da mobilidade integrarão igualmente a análise. A representante dos manifestantes classificou-as como um “grande problema no Algarve”, com efeitos na habitação.
Nova assembleia e manifestação previstas
A meio da próxima semana deverá ser convocada uma nova assembleia, estando prevista uma manifestação para 14 de novembro.
A porta-voz indicou ainda que um grupo de participantes iria pernoitar naquela noite em cerca de uma dezena de tendas instaladas na Praça do Município.
Mobilização acompanha protestos noutras cidades
Além de Portimão, Lisboa, Porto, Aveiro e Viana do Castelo têm sido palco de protestos contra os custos elevados e as dificuldades de acesso à habitação.
As mobilizações têm marcado as últimas semanas em Portugal e noutros países europeus, algumas com episódios de violência policial e detenções de manifestantes, refere a Lusa.
O Presidente da República, António José Seguro, apelou aos principais partidos portugueses para encontrarem soluções comuns que respondam à crise habitacional. Contudo, as reuniões entre o Governo da AD, formado por PSD e CDS-PP, e os partidos Chega e PS terminaram sem acordos.
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