A Casa-Museu João de Deus, em São Bartolomeu de Messines, recebeu, no domingo, 25 de outubro, a inauguração da exposição “Molduras do Invisível”, um projeto que combina fotografia e poesia para explorar o património, a memória e a identidade do concelho de Silves. A iniciativa integrou as comemorações do 29.º aniversário daquele espaço cultural.
A mostra apresenta 12 fotografias de Luís Medeira, acompanhadas por 12 textos literários inéditos do poeta Nero, numa proposta artística que procura revelar novas perspetivas sobre lugares, paisagens e elementos patrimoniais do concelho.

A inauguração contou com uma forte adesão do público e incluiu momentos de leitura de poesia, bem como a apresentação de um minidocumentário sobre o processo criativo que deu origem à exposição.
Doze fotografias e doze textos convidam a redescobrir Silves
A exposição estabelece um diálogo entre a imagem e a palavra, partindo de fotografias de Luís Medeira que serviram de inspiração à criação literária de Nero.
Através desta ligação entre duas formas de expressão artística, os autores propõem uma reflexão sobre a passagem do tempo, as memórias associadas à paisagem e as histórias preservadas no património do concelho.
A sessão inaugural foi apresentada por Telma Caroço e contou com leituras de poemas pelo próprio Nero e por convidados.
Durante a apresentação, Telma Caroço sintetizou o conceito da exposição numa frase que destaca a complementaridade das duas linguagens artísticas.
“A fotografia interroga o mundo; a escrita escava-o”, afirmou.
Os textos que acompanham as imagens não procuram estabelecer uma interpretação única, mas antes alargar as possibilidades de leitura das fotografias, permitindo que cada visitante descubra diferentes significados em lugares que lhe poderão ser familiares.

A presidente da Câmara Municipal de Silves, Luísa Conduto Luís, esteve presente na inauguração e destacou a colaboração entre os dois artistas, bem como o contributo do projeto para a valorização cultural do território através da fotografia e da literatura.Artistas ligados a Silves dão vida a projeto que une fotografia e literatura
Natural da freguesia de Pêra e residente em Silves, Luís Medeira encontrou na fotografia uma forma de expressão artística, tendo apresentado o seu trabalho em várias exposições realizadas no concelho.
O fotógrafo dedica parte do seu percurso artístico à representação de lugares e paisagens, procurando captar elementos que contribuam para preservar a memória e a identidade do território.
Já Nero, pseudónimo literário de Roberto Filipe Assis Simões, é poeta e professor de Português e de Literatura Portuguesa, contando com três obras publicadas.
O seu percurso literário inclui os livros “Oceano – O Reino das Águas”, publicado em 2021, “Telúria”, lançado em 2023, e “Akbar – Lunário Poético duma Alma ainda Árabe”, editado em 2025.
A colaboração entre os dois artistas deu origem a uma exposição em que as fotografias servem de ponto de partida para a criação de textos poéticos, estabelecendo uma relação entre a representação visual dos lugares e a interpretação literária das suas memórias.
Textos inéditos de Nero despertam interesse no México
Durante a inauguração da exposição, Nero revelou que alguns dos textos inéditos criados para o projeto despertaram o interesse de uma revista literária no México.
Segundo o poeta, os trabalhos foram recentemente traduzidos para espanhol, estando a sua publicação prevista para breve.
Esta possibilidade poderá dar projeção internacional ao projeto desenvolvido em torno do património de Silves, levando a novos públicos uma interpretação artística de lugares e paisagens do concelho.
Exposição pode ser visitada até 31 de dezembro
A exposição “Molduras do Invisível” estará patente na Casa-Museu João de Deus, em São Bartolomeu de Messines, até 31 de dezembro.

Integrada nas comemorações do 29.º aniversário daquele espaço cultural, a iniciativa procura valorizar o património local através de uma abordagem que combina fotografia e literatura.
Ao reunir 12 imagens e outros tantos textos inéditos, a mostra convida os visitantes a redescobrir lugares do concelho de Silves, explorando as memórias, as histórias e os elementos da identidade coletiva que nem sempre são imediatamente visíveis.
















