A Marginal, que liga Cascais a Lisboa através da Estrada Nacional 6 (EN6), poderá vir a ter portagens no troço sob responsabilidade do município de Cascais. A hipótese foi admitida pelo presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes, mas não existe, nesta fase, uma decisão de avançar com a cobrança aos automobilistas.
De acordo com a SIC Notícias, a possibilidade surge no contexto da transferência da gestão de parte da via para o município. A Câmara aprovou a intenção de assumir troços da Marginal e de outras estradas do concelho, uma decisão confirmada pela própria autarquia na reunião de 6 de outubro.
Câmara quer assumir parte da Marginal
A transferência abrange o troço da Marginal dentro do concelho até ao limite em Carcavelos. O processo contempla igualmente troços da variante à Estrada Nacional 6-7 e da Estrada Nacional 240, onde o município pretende passar a ter capacidade direta de intervenção.
Nuno Piteira Lopes justificou a decisão com a necessidade de aumentar a segurança nestas vias. A passagem para a esfera municipal permitiria à Câmara avançar diretamente com intervenções que considera necessárias, sem depender da atual entidade gestora.
Radares e nova rotunda estão entre as obras previstas
Entre os investimentos apontados para a Marginal estão a continuação de um corredor central até Carcavelos, a criação de uma nova rotunda na saída da Parede e a instalação de radares de velocidade, câmaras de controlo de tráfego e sistemas de videovigilância.
Estas intervenções, bem como a futura manutenção da estrada, implicam custos que a autarquia diz precisar de financiar. É neste contexto que surge a possibilidade de introduzir uma portagem, embora ainda não tenham sido divulgados valores, locais de cobrança ou uma data para a eventual entrada em funcionamento.
Residentes de Cascais ficariam isentos
Caso a solução avance, o presidente da Câmara garante que os residentes do concelho não terão de pagar. Nuno Piteira Lopes afirmou que ficou estabelecido desde o início que “os munícipes de Cascais não iriam, obviamente, pagar essa portagem”.
A hipótese está, contudo, a gerar críticas devido ao possível impacto nos condutores que chegam de outros concelhos. Uma das preocupações apontadas é que a cobrança leve alguns automobilistas a abandonar a Marginal e a procurar percursos alternativos através de zonas residenciais.
Autarca aponta para alternativa ferroviária
O presidente da Câmara reconhece também que uma eventual cobrança deve ser enquadrada numa estratégia mais ampla de mobilidade. Entre as alternativas apontadas está a Linha de Cascais, que tem sido alvo de intervenções de modernização e poderá absorver uma parte das deslocações atualmente feitas de automóvel.
Nuno Piteira Lopes defendeu que os investimentos ferroviários e a chegada de novo material circulante poderão permitir retirar mais utilizadores do transporte individual e levá-los para o comboio. A possibilidade de criar portagens surge, assim, associada não apenas ao financiamento da estrada, mas também à discussão sobre a mobilidade entre Cascais e Lisboa.
Portagem continua apenas como possibilidade
Segundo a SIC Notícias, a autarquia pretende concluir o processo para assumir a gestão das vias até ao final do ano. Para já, aquilo que foi aprovado foi a transferência dos troços para a jurisdição municipal, enquanto a portagem permanece como uma das formas de financiamento colocadas em cima da mesa. A Câmara confirma oficialmente que a transferência abrange a Marginal, a EN6-7 e a EN240.
Assim, os automobilistas não devem interpretar as declarações como o anúncio de portagens já decididas. O cenário admitido por Nuno Piteira Lopes depende ainda da concretização da transferência, da definição dos investimentos e do modelo de financiamento, sendo que a única condição já assumida publicamente pelo autarca é que, se a cobrança avançar, os munícipes de Cascais deverão ficar isentos.
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