Victor Coelho, presidente da Comissão Política do PSD de Loulé, afirmou este sábado que a localização da futura solução para os resíduos do Algarve ainda será sujeita a avaliação técnica. O dirigente diz ter recebido esse esclarecimento numa reunião com a ministra do Ambiente e Energia, perante as preocupações com a eventual instalação de uma incineradora no concelho.
Numa publicação nas redes sociais, Coelho acrescentou que a orientação transmitida por Maria da Graça Carvalho prevê “uma infraestrutura nova, construída de raiz”. “Estou em condições de garantir aquilo que afirmo”, escreveu.
O responsável considera necessário resolver o problema dos resíduos na região e encerrar, a prazo, o aterro situado no concelho de Loulé. Ressalva, porém, que “nenhuma solução deve ser imposta sem rigor, transparência e respeito pelas populações”.
Victor Coelho pede esclarecimentos ao presidente da Câmara
O dirigente social-democrata comprometeu-se a acompanhar as decisões e a exigir esclarecimentos, defendendo que as preocupações dos cidadãos não devem ser “instrumentalizadas politicamente”.
Na mesma publicação, dirigiu críticas ao presidente da Câmara de Loulé, a quem pediu informação sobre o processo. Segundo Coelho, o autarca optou por não prestar esses esclarecimentos na última Assembleia Municipal.
“Os silêncios criam receios e prestam-se a especulações”, afirmou.
Três universidades vão estudar tecnologias, localizações e impactos
A posição do PSD de Loulé surge depois da assinatura, na sexta-feira, 30 de outubro, do contrato de colaboração para o estudo “Soluções Técnicas para o Tratamento da Fração Resto na Região do Algarve”.
Segundo a Lusa, o contrato foi celebrado entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, numa sessão realizada na sede da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), em Faro.
O trabalho será coordenado pela Universidade Nova de Lisboa, com o contributo das universidades do Algarve e de Aveiro, e deverá estar concluído no prazo de 11 meses.
Na publicação, Victor Coelho refere que a avaliação abrangerá os tipos de resíduos produzidos na região, as diferentes tecnologias, localizações e impactos. O presidente da APA, José Pimenta Machado, sintetizou as questões a responder: “qual é a melhor solução, onde poderá localizar-se e que impactos terá”. A solução apresentada terá de ser “muito clara e definitiva”, acrescentou.
Incineração permanece entre as opções, mas decisão aguarda estudo
Maria da Graça Carvalho explicou que o estudo incidirá sobre a fração resto, ou seja, “aquilo que não se pode evitar, não se pode separar, não se pode reciclar, não se pode reutilizar”.
Entre as possibilidades, a ministra apontou a incineração, o tratamento mecânico e biológico, defendido pela associação ambientalista ZERO, e a conversão em energia.
Questionada sobre se a incineração, que sugeriu como opção em agosto, tinha deixado de ser a solução primordial, a governante remeteu a decisão para as conclusões do estudo.
“Há uma coisa que eu vos posso garantir: será sempre a solução que não tenha impactos negativos para a população que aqui vive e que aqui visita, isso posso garantir”, afirmou aos jornalistas.
Aterros próximos do esgotamento tornam resposta urgente
A Algar processa anualmente mais de 400 mil toneladas de resíduos urbanos, das quais mais de 80% seguem diretamente para aterro.
Os dois aterros da região, localizados nos concelhos de Portimão e Loulé, estão próximos do esgotamento, embora esteja prevista a construção de uma nova célula de reposição em cada um.
“Assim que nos apresentarem o estudo iremos decidir, porque não há tempo a perder. Estes aterros vão ficar cheios daqui a muito pouco tempo, portanto temos de ter uma solução rápida”, declarou Maria da Graça Carvalho. A governante advertiu que a resposta estrutural demorará sempre “quatro a cinco anos” a ficar pronta.
Os dados apresentados na sessão indicam uma produção diária de 2,06 quilos de resíduos por habitante no Algarve, face aos 1,35 quilos da média nacional. A ministra associou a pressão sobre o sistema regional ao turismo e à população flutuante.
Quanto ao financiamento, assegurou que existem 3,2 mil milhões de euros disponíveis para canalizar para o setor dos resíduos e responder às situações mais urgentes. “A mais urgente, neste momento, é o Algarve”, afirmou.
Moradores de Portimão reclamam encerramento do aterro
À porta da AMAL, a ministra conversou com meia dezena de representantes da Associação de Moradores de Odelouca, Porto de Lagos e Rasmalho, que exige o encerramento do Aterro Sanitário do Barlavento, em Portimão.
Os moradores queixaram-se de cheiros intensos e de pragas de moscas que prejudicam o seu quotidiano. Maria da Graça Carvalho pediu-lhes que apresentassem queixa às autoridades regionais competentes ou à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.
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