Entre 9 e 11 de outubro, o cinema regressa ao TEMPO – Teatro Municipal de Portimão com a segunda edição do Festival de Cinema de Portimão, cuja programação reúne curtas e longas-metragens de Portugal e de outros países em torno da identidade, resistência e pertença.
“O que acontece quando deixamos de caber no lugar que nos foi destinado?” é o mote escolhido para esta edição, que propõe abordar temas como identidade, género, amizade, família, saúde mental, resistência, memória, exclusão e pertença.
Ao longo dos três dias, o festival apresenta histórias centradas em pessoas confrontadas com expectativas, limites pessoais, relações familiares e circunstâncias sociais, procurando usar o cinema como espaço de reflexão sobre diferentes formas de ser, resistir e encontrar um lugar na sociedade.
Primeiro dia dedicado ao tema “Ser”
A abertura está marcada para 9 de outubro e será dedicada ao tema “Ser”. A primeira obra exibida será “Faisão”, de Beatriz Silvestre, curta-metragem que estabelece uma alegoria entre a figura feminina e a vida predestinada de um faisão, abordando a violência e o abuso sofridos por muitas mulheres.
Segue-se “Os Amigos”, do Grupo, centrado na amizade e cumplicidade, e “Ponto Final”, de Miguel López Beraza, documentário em que o realizador regressa à casa dos pais e recorre a um jogo cinematográfico para abordar a doença e o medo da perda.
A programação contempla depois uma conversa com Beatriz Silvestre e Nicole Ribeiro, de “Faisão”, e elementos do elenco de “Os Amigos”. A noite continua com “Lugar 54 (Episódio 3)”, de Bernardo Lopes e Francisco Mira Godinho, integrado numa série antológica que cruza cinco histórias e cinco géneros num parque de estacionamento.
Serão ainda exibidos “Marina”, de Paoli de Luca, sobre uma jovem em transformação da sua identidade e das suas relações, “Trick” ou “Migué”, de Rodrigo Ribeyro, e “Revolver”, também de Paoli de Luca, que acompanha uma dançarina trans num clube noturno de Nápoles, num contexto marcado por relações de desejo, poder e sobrevivência.
“Resistir” coloca personagens perante situações-limite
O segundo dia, 10 de outubro, é dedicado ao tema “Resistir” e coloca em destaque personagens confrontadas com situações-limite e com a necessidade de encontrar formas de continuar.
“Alișveriș”, de Vasile Todinca, acompanha uma mulher desempregada que vende os seus pertences para sobreviver e acaba perante uma decisão extrema. Segue-se “Numb”, de Nuno Borges e Márcia Estima, centrado em João, um jovem de 23 anos que atravessa um profundo distanciamento de si próprio e inicia um percurso de reencontro pessoal.
Após a exibição haverá uma conversa com a produtora NuMar e a psicóloga Susana Godinho, destinada a aprofundar as questões abordadas no filme e promover o diálogo com o público.
A sessão encerra com “Last Seven Days”, de Rickey Jewkes, uma longa-metragem dramática sobre um veterano do Exército dos Estados Unidos durante os sete dias que antecedem uma tentativa de suicídio planeada.
Último dia debate o sentido de pertença
O programa de 11 de outubro será dedicado ao tema “Pertencer” e começa às 15:00, no Café-Concerto, com o workshop/palestra “A Narrativa Visual”, orientado por Luís Campos. A sessão abordará a evolução da linguagem cinematográfica e pretende fornecer a aspirantes a guionistas ferramentas para desenvolver uma escrita com identidade própria.
À noite, no Pequeno Auditório, será exibido “À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe”, de Gonçalo Waddington, uma história familiar sobre luto, identidade e os limites entre representação e realidade. Segue-se “Lugar 54 (Episódio 1)”, de Bernardo Lopes e Francisco Mira Godinho, e uma performance de poesia de Ana Simon inspirada no mote desta edição.
O encerramento fica a cargo de “Terra Vil”, de Luís Campos, drama sobre um menino de 12 anos e o pai alcoólico que vivem junto ao rio Douro, numa comunidade dependente da pesca e confrontada com as consequências das alterações climáticas e da instabilidade familiar.
Todas as sessões do Festival de Cinema de Portimão têm entrada gratuita, mediante levantamento prévio de bilhete na bilheteira do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão.
















