Mais de um terço dos residentes do concelho de Vila do Bispo declara não professar qualquer religião, colocando este município algarvio entre os que apresentam uma maior proporção de pessoas sem afiliação religiosa em Portugal. O resultado contrasta com a realidade nacional, onde o catolicismo continua a ser predominante, apesar das mudanças registadas ao longo da última década.
De acordo com o estudo Um Atlas da Religião em Portugal, apresentado pela Universidade Católica Portuguesa, 33,7% dos habitantes de Vila do Bispo abrangidos pela análise afirmam não ter religião. O concelho ocupa a segunda posição nacional, apenas atrás de Sines, no Alentejo Litoral, onde a percentagem chega aos 35,5%. Os resultados têm por base os Censos de 2021 e dizem respeito à população com 15 ou mais anos.
Vila do Bispo é o segundo concelho do país com mais pessoas sem religião
A classificação nacional mostra que a ausência de afiliação religiosa tem uma expressão particularmente elevada no Sul do país. Depois de Sines e Vila do Bispo, surge Grândola, com 31,7%, seguida de Aljezur, também no Algarve, onde 31,5% dos residentes abrangidos pelo estudo declararam não ter religião.
Segundo a mesma investigação, Lagos também integra o grupo de concelhos com maior proporção de pessoas sem religião, com 28,5%. Estes resultados evidenciam diferenças significativas entre municípios, uma vez que existem localidades portuguesas onde a população sem afiliação religiosa representa uma parcela muito reduzida dos habitantes.
Número de portugueses sem religião mais do que duplicou
A evolução registada em Vila do Bispo enquadra-se numa transformação mais ampla da sociedade portuguesa. Entre 2011 e 2021, o número de pessoas que declararam não ter religião passou de 615.332 para 1.237.130, o que representa um crescimento superior a 100% numa década.
Este grupo passou de cerca de 6,8% para 14,1% da população considerada. Contudo, os investigadores distinguem a ausência de pertença religiosa da inexistência de crenças pessoais. Uma pessoa que afirma não ter religião não se identifica necessariamente como ateia, podendo manter convicções espirituais sem estar associada a qualquer confissão.
Algarve é uma das regiões onde há menos católicos
Apesar do crescimento da população sem religião, o catolicismo continua a ser a confissão maioritária em Portugal. Segundo a Universidade Católica Portuguesa, 80,2% dos residentes com 15 ou mais anos considerados no estudo identificavam-se como católicos em 2021, num total de 7.043.016 pessoas. Este número representa uma diminuição de 3,3% face ao recenseamento de 2011.
No entanto, a distribuição territorial apresenta diferenças consideráveis. Os Açores registam a maior proporção de católicos, com 91,63%, seguidos da Madeira, com 90,86%, e do Norte, com 88,07%. Em sentido contrário, o Algarve apresenta 65,89%, enquanto a Área Metropolitana de Lisboa regista 67,54%. Na região algarvia, 21,7% da população abrangida declarou não ter religião, uma percentagem superior à média nacional.
Outros concelhos algarvios também se destacam pela diversidade religiosa
O Algarve não se distingue apenas pela proporção de residentes sem religião. A região apresenta igualmente uma presença significativa de outras confissões cristãs, além da católica, representando estas 10,3% da população considerada. Lagos lidera a classificação nacional neste indicador, com 14,3%, dos quais 6,9% correspondem a protestantes ou evangélicos.
Segundo o estudo, Albufeira surge na segunda posição, com 13,2% de residentes pertencentes a outras confissões cristãs, destacando-se a comunidade ortodoxa, que representa 5,3%. Portimão ocupa o terceiro lugar, com 12,7%, incluindo 5,1% de protestantes ou evangélicos. Os dados mostram que, além da população sem religião, o Algarve apresenta uma distribuição diversificada de identidades religiosas.
Estudo permite conhecer a realidade religiosa de cada concelho
A investigação foi coordenada por Alfredo Teixeira, do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião da Universidade Católica Portuguesa, e contou com a colaboração de investigadoras da Universidade do Porto. A publicação reúne informação de diferentes recenseamentos e procura identificar as mudanças na distribuição das religiões em Portugal, incluindo as diferenças entre regiões e municípios.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos desenvolveu também uma plataforma interativa, que permite consultar os dados por concelho. A análise tem por base as respostas à pergunta sobre religião nos Censos, que é facultativa.
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