Há uma zona do Algarve onde olhar para as falésias pode significar encontrar uma “Chaminé”, um “Camelo”, uma “Cozinha” ou até um “Submarino”. Fica na Ponta da Piedade, em Lagos, onde várias formações rochosas receberam nomes atribuídos ao longo do tempo por pescadores locais, criando uma espécie de mapa informal entre grutas, arcos e falésias.
Segundo o portal da empresa de atividades SeaBookings, a Ponta da Piedade encontra-se a cerca de dois quilómetros do centro de Lagos e é marcada por falésias douradas que chegam aproximadamente aos 20 metros de altura. A ação continuada do oceano e do vento criou ali formas distintas, algumas das quais acabaram por ser reconhecidas e batizadas por quem conhecia aquela costa através da atividade no mar.
Há uma “Catedral”, um “Museu” e até um “General De Gaulle”
A lista vai bastante além da “Chaminé”, do “Camelo” e da “Cozinha”. Segundo a mesma fonte, entre as designações mais conhecidas encontram-se também “Catedral”, “Belas-Artes”, “Museu”, “Submarino”, “Gruta do Amor” e “General De Gaulle”, nomes que procuram associar o aspeto das formações a objetos, edifícios ou figuras reconhecíveis.
Estas designações nasceram da observação das formas esculpidas naturalmente na rocha e mantiveram-se associadas à paisagem. Assim, aquilo que à distância pode parecer apenas uma sucessão de falésias calcárias ganha diferentes referências para quem percorre a zona pelo mar e observa as formações a partir de vários ângulos.
Melhor perspetiva pode estar junto à água
A Ponta da Piedade não corresponde propriamente a uma praia tradicional, uma vez que o seu principal atrativo está nas falésias, grutas, algares e arcos naturais. A mesma fonte refere que várias destas estruturas podem ser observadas através de passeios de barco, caiaque ou prancha de stand-up paddle.
É a partir da água que muitas das formas ganham maior definição, permitindo também entrar em algumas cavidades e observar a diferença de tonalidades entre a rocha e o Atlântico. O conjunto tornou-se uma das imagens associadas à costa de Lagos e um dos locais procurados por quem visita esta parte do Algarve.
Não são apenas as rochas que chamam a atenção
A zona constitui também habitat para diferentes espécies de aves. Conforme explica a mesma fonte, em formações próximas da costa podem ser encontrados ninhos e observadas espécies como falcões migratórios, gralhas, andorinhões-alpinos, andorinhões-pálidos e corvos.
Há ainda registos de grupos de garças e garças-boieiras. Para além dos percursos junto às grutas, existem também saídas marítimas destinadas à observação de golfinhos, acrescentando à componente geológica outras possibilidades de contacto com a fauna que frequenta esta zona costeira.
Também é possível descobrir a Ponta da Piedade a pé
Quem preferir permanecer em terra pode percorrer os Passadiços da Ponta da Piedade. De acordo com o blog de viagens Vaga Mundos, o percurso liga o Farol da Ponta da Piedade à Praia do Canavial e estende-se por aproximadamente 2,5 quilómetros em cada sentido, num total de cerca de cinco quilómetros para quem fizer ida e volta.
A parte mais exigente encontra-se na descida para a Praia do Canavial, mas essa etapa é opcional. A mesma fonte considera, por isso, este troço adequado para famílias e para visitantes que disponham de menos tempo ou tenham maiores dificuldades de mobilidade.
Assim, a Ponta da Piedade pode ser observada tanto do mar como a partir dos percursos existentes sobre as falésias. Em baixo encontram-se grutas, arcos e as formações às quais os pescadores foram dando nomes; em cima, os passadiços permitem acompanhar parte da linha costeira e perceber de outra perspetiva o trabalho realizado durante milhares de anos pelo vento e pelo Atlântico.
É nesse cenário que continuam a existir a “Chaminé”, o “Camelo”, a “Cozinha” e outras figuras reconhecidas por gerações de quem navegou junto à costa de Lagos. Mais do que simples alcunhas, os nomes acabaram por acrescentar uma dimensão humana a uma paisagem construída quase inteiramente pela ação da natureza.
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